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Suspiro.

por Fernando Lopes, 26 Abr 17

Passeava pela cidade, bem no centro onde me perguntaram pela «livraria do Harry Poter», e juro que a ouvi suspirar. Não sei se o suspiro que a cidade exalou era de cansaço ou enfado. Ela, como os seus habitantes, ocasionalmente, cansam-se da falta de privacidade, dos pequenos locais que eram nossos e agora estão sempre cheios. Não é que não gostemos de receber, adoramos, mas cansa-nos estar sempre sorridentes, amáveis, prestativos, até ao turista 1.000.000. Como um casal, queríamos um bocadinho de intimidade. Só nós e as nossas pequenas manias. A esplanada da escada dos Guindais sem estar cheia, sem gente de mapa ou Google Maps em punho. Gostávamos de petiscar no «Museu da Avó» tranquilamente, sem grandes filas de franceses. Questionei porquê franceses, porquê ali, disseram-me que era aconselhado por um qualquer «guide touristique». A cidade, como qualquer organismo vivo, também precisa de descanso. Palavra de honra que a ouvi suspirar. Suspirei com ela.

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