Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Demasiado longe, há demasiado tempo.

por Fernando Lopes, 14 Abr 17

Fugiste-me, e provavelmente foi a atitude mais sensata que tomaste em toda a tua vida. Não sou flor que se cheire, carrego mais angústias, incertezas, que sorrisos. Não te traria a pacatez que desejavas, difícil imaginar-me com três ou quatro ranhosos na mesa do chinês a depenicar o menu «Família Feliz». Pouco tenho para partilhar senão esta pedra invisível que carrego, um Sísifo de pacotilha. Também não te digo que queria viver contigo até sermos velhinhos, pela razão simples que nunca envelheceste, foste, és, e serás sempre a minha menina, nem que os ossos se te curvem com o peso da idade, os olhos percam o brilho com as cataratas. Uma menina, a minha menina. Estamos demasiado longe, há demasiado tempo. Talvez nos tenhamos transformados em pessoas diferentes, talvez se nos cruzássemos nada mais existisse que uma memória. Ou talvez não. É esse o encanto, serás sempre o meu «e se...» favorito.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Feedback

  • alexandra g.

    "Essas jovens, com pouca maturidade e muita necess...

  • Fernando Lopes

    O sistema americano é de facto estranho, mas o gre...

  • Maria Manel

    Já deviam ter aprendido quando o Bush ganhou as el...

  • Fernando Lopes

    Já vi, e apreciei a riqueza do trocadilho.

subscrever feeds