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Patchwork ou dignidade na simplicidade.

por Fernando Lopes, 25 Mar 17

Sempre que possível, desço da Boavista ao meu útero urbano, Cedofeita. Álvares Cabral abaixo – onde vivi os trinta primeiros anos da minha vida – observo do outro lado da rua uma idosa e o seu cão. Sempre me enterneceram estas duplas velho-cão. O binómio – com sói dizer-se na cinotecnia – tem uma dinâmica própria. Ou os cães são, também eles, velhinhos, ou adoptam uma postura cuidadosa com os gerontes, não puxando, fazendo suas dores e maleitas do dono. Existirão poucos fenómenos mais empáticos que um cão e o seu dono velhinho. O que sobe castanho com pêlos brancos, acompanha a dona com enlevo. É colorido. Traz um casaquinho de cão, que mais não é que um conjunto de pegas de tacho, daquelas que as nossas avós tricotavam, unidas num trabalho de patchwork. Não há dinheiro para comprar roupa de cão, tricote-se. Há dignidade e carinho na indumentária colorida do bicho.

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