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Em contra-mão.

por Fernando Lopes, 20 Jan 17

Como a maioria das pessoas «do meu tempo», fui educado com padrões éticos que hoje são considerados antiquados, desajustados, sem valor. O que antigamente seria gabarolice hoje é auto-estima; a compaixão é vista como uma fraqueza; o carácter como algo adaptável aos que nos rodeiam e às suas circunstâncias; a lealdade algo que se vende por bem menos de trinta dinheiros; a forma mais importante que o conteúdo. Por estas e outras, este tempo do «pós-ética» já não é o meu. O problema, se é que existe, é que algumas pessoas mais velhas embarcam alegremente nesta onda pouco recomendável para se sentirem modernos. Não ambiciono viver neste momento em que tudo é negociável, em que a integridade é algo que, como um ramo de árvore, baloiça ao sabor do vento. Assim, como um velho tonto que se enganou na entrada da autoestrada, circulo em contra-mão. A vantagem é que por muito que achem que vou no sentido errado, sei que o caminho é o que a minha consciência – algo também em desuso – me diz para seguir.

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