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Sem título.

por Fernando Lopes, 31 Out 16

Untitled.jpgRotunda da Boavista, Porto, 08:15

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Um momento de laifestaile.

por Fernando Lopes, 29 Out 16

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Um blogue é geralmente inútil, acrescenta pouco além da partilha, este não é excepção. Já por aqui escrevi sobre a minha luta contra o peso excessivo, de como sem outro meio que não a autodisciplina emagreci onze quilos. Também desde há um mês atrás tenho feito exercício físico regularmente. Para quem tenha o mesmo problema, digo que não é fácil, exige empenho. Tenho procurado comer bem, abdiquei de muitas coisas em que adorava ferrar o dente. O bom é que a coisa torna-se natural. Hoje ao almoço comi sopa de brócolos e uma omelete de cogumelos com salada, enquanto os meus companheiros de refeição se deliciavam com leitão, crepes, e mais uma série de iguarias. Pela primeira vez não tive a mínima inveja. Aceitei que tenho de fazer uma alimentação cuidada e já posso conviver com o cheiro a francesinha sem começar a salivar como um dogue de bordéus. Sempre fui mais dado ao prazer que à estética, a dieta foi uma opção meio/meio, dividida entre estar e sentir-me mais saudável e parecer melhor. Tudo isto é absolutamente egoísta, de mim, por mim, para mim. Quando chego excessivamente cansado do ginásio a minha mulher dá-me na cabeça, que já não sou nenhum menino, que me esforço demais, etc. Se há coisa em mim é força de vontade. Se abdicar de quase tudo o que gostava de comer se tornou normal, também o será a parte de cárdio e musculação. Este texto não é conselho para ninguém, cada um deve viver como lhe dá mais prazer. Cheguei a um momento em que prefiro ver um cota mais ao menos enxuto, que fazer jantaradas opíparas e apanhar bebedeiras de paralisar os neurónios. Respeito quem pense de modo contrário, esse gene apenas adormeceu neste vosso dedicado escriba. Sejam felizes à vossa maneira, eu vou tentar manter este novo caminho.

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O automóvel pode ser uma arma.

por Fernando Lopes, 27 Out 16

Declaração de interesses: nada me move contra os idosos, eu mesmo estou mais para lá do que para cá. O meu escritor português favorito já passou dos 80 e continua em grande forma intelectual. Fui criado pelos meus avós, a mulher que amei acima de tudo permaneceu activa e independente até aos 90 anos.

 

Hoje, na Praça da República, um senhor já bem passado dos oitenta parou num sítio indevido a deixar sair uma rapariga da sua idade. Depois, estacionado em plena passadeira, abriu a porta do carro. Para levantar a perna esquerda teve de o fazer com a mão. Pensei que tivesse algum problema de mobilidade e espreitei para dentro do carro. Nada de muletas, nada de nada, caruncho puro e duro. Noutro dia, aqui na Avenida de França, um outro que já deveria ter 90, arrastava-se literalmente para fora do carro, prendendo os braços à porta e meio paralítico, moveu-se a um passo que não deveria ser superior a 2/Km h.

 

Do total das 593 vítimas mortais registadas em 2015, 29,8% tinha 65 ou mais anos, “para uma percentagem de população que representa apenas 21% do total, e que apresenta uma muito menor exposição ao risco, pois circula, em média, bastante menos que a população mais jovem”, referem os dados da PRP, divulgados a propósito do Dia Internacional do Idoso, assinalado a 01 de outubro.

 

Se é certo que muitas destas vítimas o serão por atropelamento, não menos verdade é que muitos outros que já não têm condições físicas e psicológicas para conduzir o fazem. Basta ir a um médico conhecido (5), e já está, atestado passado. Os exames médicos têm de ser rigorosos e levados a cabo por entidades oficias para bem dos próprios e de todos nós. Interessa menos a idade e mais a condição física e intelectual de cada um. A minha mãe, sensatamente, já deixou de conduzir em estrada, limitando-se a pequenas voltas na cidade. Apesar da boa forma começa a apresentar ligeiros problemas de audição. Sabendo do seu desagrado em perder a autonomia, para o bem dela e de todos, acho que um médico lhe deveria dizer para parar de conduzir.

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Ah, faneca.

por Fernando Lopes, 25 Out 16

faneca.jpg

 

Desapareceram expressões populares que adorava. Ouvi hoje uma que designava uma mulher magrinha com tudo no sítio, «faneca». Era usada como piropo, mas nunca que nunca de forma insultuosa. Constatava-se a elegância da rapariga alvo da piada, nada mais. A faneca foi, ao nosso pobre modo, antecessora da top-model ou da modelo de lingerie. A Irina Shayk é uma faneca, a Sara Sampaio também. Desconheço a origem da expressão, apenas posso imaginar. A faneca é um peixe fininho, com muitas espinhas, mas saboroso. É um peixe naturalmente elegante, que brilha sem ter de se armar aos cágados. O companheiro de luta que comigo caminhava, ao ver um outdoor da Intimissimi, deixou fugir a velha expressão. Fez-me sorrir e lembrar algumas fanecas da minha juventude.

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Guarda-Roupa.

por Fernando Lopes, 24 Out 16

shoes.jpgZézinho comprou umas sapatas idênticas a estas

 

Não ligo muito à roupa, no sentido em que desde que esteja limpa e com aspeto não demasiado coçado, serve. Como a maioria das vezes uso exclusivamente preto com um blazer de bombazine (vários tons de castanho, do mais claro ao escuro), não perco grande tempo a escolher. Também compro roupa a granel, se experimentar uma camisa que me agrade e o preço for simpático, trago logo três ou quatro. O mesmo com os chinos. Hoje, porque os sapatos estavam a ficar velhotes – é verdade, sou capaz de usar durante meses o mesmo par – entrei na loja e pedi uns iguaizinhos aos que trazia calçados.

 

A empregada entrou em pânico.

 

- Vai comprar uns sapatos iguais? Assim parece que anda sempre com os mesmos.

 

- E?

 

- Não fica bem. Veja um modelo idêntico de que goste. Assim sempre se nota que são outros.

 

Acedi, trouxe um modelo ligeiramente diferente. Palavra que ainda hei-de entender este fetiche feminino com algo tão desinteressante como um par de sapatos.

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Turismo, turistas e a portolândia.

por Fernando Lopes, 22 Out 16

Acordei cedo. Como as minhas mulheres iam ao cabeleireiro decidi dar uma volta a pé. Esta expressão significa quase sempre um regresso ao meu útero urbano, Cedofeita. Assim foi. Gosto de parar na esplanada junto à subida do Mirante. É um sítio despretensioso, um café que não pretende ser mais do que é. Os sítios assim são cada vez mais raros, os novéis proprietários procuram dar um ar sofisticado até a uma padaria. Farto desta patine de pechisbeque procuro o básico, sem rodriguinhos ou tretas.  Mesmo ao lado fica um hostel, a rua está cheia deles. Face ao vai e vem de turistas, questiono o proprietário. Talvez o futuro esteja mesmo no turismo. Os hotéis e hostels vizinhos, que na época baixa do ano passado se quedavam por uma ocupação de 50%, esperam entre Outubro e Abril uma taxa de 75%. À noite, diz-me, quase só serve estrangeiros. Fala-me das pessoas que saíram da zona por causa do barulho nocturno, de apenas existirem estes vizinhos temporários. Entristece-me. Todas as minhas velhinhas morreram, cada vez mais a baixa é um playground de turistas, e uma cidade sem moradores é algo artificial. Chama-me saudosista, mas ainda aspiro a uma cidade onde habitantes e turistas consigam fazer parte da urbe, não esta que se está a criar onde apenas existem os habitantes esporádicos e os que lá estão para os servir.

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Portugal, campeão de divórcios.

por Fernando Lopes, 20 Out 16

Scan0003.jpgInfografia da «Visão»

 

Leio a «Visão» de hoje e entre muitos outros dados estatísticos descubro que Portugal é campeão de divórcios, 70% dos casamentos terminaram assim. Não me interessa julgar, as estatísticas são o que são, e neste caso surpreendentes, pois Portugal encontra-se à frente de países mais liberais nos costumes como a Finlândia (55%), Suécia e Holanda (52%). Talvez os portugueses se divorciem mais porque casam mais. Provavelmente jogam as fichas todas numa relação que depois caduca.

 

Num plano pessoal diria que sou de relações estáveis. Mulheres que permanecem mais que uma memória foram apenas três, uma ainda antes de entrar para a faculdade e que durou um ano, um longo relacionamento de nove anos que expirou mais por circunstâncias adversas que por outra coisa, e este casamento que já resiste há 23. Entre os meus amigos há de tudo. Quem tenha relações de quase quatro décadas (casaram com a namoradinha(o) de liceu), quem tenha uma vida afectiva mais agitada. Amo-os a todos, o seu estado civil, uma irrelevância.

 

Não deixo, no entanto, de pensar que sou um tipo estranho, de relações duradouras, pouco dado a oscilações amorosas. É mau, é bom? É só o meu jeito.

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Fugitivo.

por Fernando Lopes, 18 Out 16

palito.jpgFoto retirada da página de Manuel Palito no Facebook.

 

Sempre que se dão estes casos de fuga como o de «Manuel Palito», ou agora do «Piloto», o meu coração fica dividido. Se por um lado penso que devem ser apanhados, julgados e condenados se tal for o caso, por outro romantizo com a fuga e o individuo que durante dias ou semanas consegue escapar ao longo braço da lei. Há algo de western nestas escapadas que me faz ser infantil, extemporaneamente infantil.

 

Sou portuense, e os tripeiros não acatam bem a autoridade. Aqui, no calão antigo, um cocó de cão é um «polícia». Para ver o nosso respeito à ordem e lei. Já dei comigo a avisar «olhó polícia» e amigos de outras cidades procurarem o agente em vez de olharem para o chão para não pisarem o «presente».

 

Não será facilmente compreensível esta necessidade de torcer pelo mau, mas é da minha natureza. Mesmo quando o fugitivo é um assassino o meu inconsciente espera sempre que ele se evada pelo máximo tempo possível, dê água pela barba aos agentes. Depois existe a desumanização que os media fazem destes homens, dando-lhes sempre apelido. Foi assim com o «Palito», agora com o «Piloto». Isto faz-me torcer ainda mais por esta gente pouco recomendável. Perdoem.

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Formigueiro.

por Fernando Lopes, 17 Out 16

Há uma espécie de morte em vida no facto de se cumprirem sempre as mesmas obrigações, tarefas, percursos. A monotonia mata-me a vontade. Seguem-se dias iguais, uns atrás dos outros, sem que neles descubra encantamento. Tudo me parece mover-se sem sentido aparente, como quando fazemos parte de um imenso formigueiro e seguimos as outras. Obreiras apenas, fazendo tão-somente aquilo que esperam de nós.

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Não-Amor.

por Fernando Lopes, 12 Out 16

Um não-amor pode ser um amor que não deu certo, por certo tens uma estória dessas para contar embora as mais das vezes faças de conta que esqueceste. Pode ser um enternecimento que nunca chegou a passar disso mesmo, uma paixão não correspondida, traição que fizemos ou de que fomos alvo. O não-amor dói. Dói sempre, porque embora o falhanço faça parte indelével do percurso de cada um de nós, não gostamos de o admitir perante nós e principalmente face ao outro. Mas um não-amor também é bom. São memórias. Toques. Entusiasmo pueril. Um não-amor é como a face oculta da lua, não se vê mas está sempre lá. Como uma cicatriz que permanece como memória física de uma luta que encaramos com entusiamo. Quem não sofreu com um não-amor terá mais dificuldade em saber o que é esse mistério de encontrar um amor verdadeiro, correspondido, único, total, incondicional.

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  • Fernando Lopes

    E dizemos isto como se tentar ser boa pessoa fosse...

  • pimentaeouro

    Assino por baixo.

  • Fernando Lopes

    É a nossa obrigação, Inês. Impensável ter um anima...

  • Inês

    E o contente que eu fico por saber que há mais um ...

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