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À mes amis français. (*)

por Fernando Lopes, 27 Jul 16

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Sejamos honestos, a oposição colocou as fichas todas no «quanto pior melhor». Fodeu-se. O BE já tinha feito o mesmo ao ser parte activa no derrube de um executivo PS. Também se fodeu. Nada disto iliba o governo, incapaz de captar investimento, criar emprego, actuando quase exclusivamente pelo lado da receita, atirando migalha aqui e ali aos portugueses já no osso. O Sr. Presidente do Conselho estará neste momento a padecer de cólica profunda. A não aplicação de sanções e a tragédia autárquica que se avizinha colocam-lhe o tacho em perigo. A imprensa económica, mais fiel que rafeiro ao modelo da troika, sofre uma pesada desilusão e pede-nos para não os deixar falir. No cu.

 

Desiludam-se os que acham que o palavroso Costa teve algo a ver com isto. Berlim perdoa agora para ganhar legitimidade para o castigo que se segue. Portugal não conta, a Espanha pouco vale. O filet mignon – e a aplicação de um galicismo não é coincidência – é a França. Pacientemente os boches preparam-se para conseguir pela via económica o que não conseguiram pela guerra, vergar a Europa. Há muito Pétain por aí, basta esperar pacientemente.  

 

(*) crónica económico-política de elevado conteúdo e linguagem ainda mais sofisticada. 

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Coisas que nos sobrevivem.

por Fernando Lopes, 27 Jul 16

Uma simples garrafa de água de plástico pode resistir durante cinco séculos aos elementos. Pode parecer estranho, mas existem objectos, plantas, que me fazem sentir profundamente desconfortável. Em casa do pai dividiam-se as casas de banho entre homens e mulheres. Uma para cada género. Sendo a família de três machos e uma fêmea, entendeu-se – e bem – preservar o feminino. Mais por hábito que por racionalidade, quando vou a casa da mãe uso sempre a «casa de banho dos homens». Procurava creme para as mãos quando me deparo com o pente do pai. Um pente normal, nada sofisticado, daqueles de osso que quase vinte anos passados ali permanece, coisa inútil e cínica a lembrar a efemeridade humana. Irritou-me tanto que quase chorei. Hoje, já noite dentro, lembro-me da orquídea que a tia Manela ofereceu. Um presente para a Teresa quando a Matilde nasceu, uma flor num vaso de terra. Está dentro de casa, num local quase sempre banhado por luz e sol. Fui pôr-lhe água, coisa que faço meia-dúzia de vezes por ano. Depois reflecti. Onze anos. A tia morreu, a flor negligenciada persiste em sobreviver. Não sei se desespero pela perecibilidade humana, se me espanto por uma flor e um pente nos poderem resistir, escarnecedores.

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  • Fernando Lopes

    E dizemos isto como se tentar ser boa pessoa fosse...

  • pimentaeouro

    Assino por baixo.

  • Fernando Lopes

    É a nossa obrigação, Inês. Impensável ter um anima...

  • Inês

    E o contente que eu fico por saber que há mais um ...

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