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Nada de grandioso por detrás das minhas nuvens.

por Fernando Lopes, 31 Mar 16

cedofeita.jpg Fim de tarde na Rua de Cedofeita

 

 

Chuva, chuva, chuva, chuva. Tínhamos planeado uma semana no Minho, desistimos ao quinto dia de chuva quási ininterrupta. Mapas de percursos pedestres ficaram para uso posterior, o mais que consegui foi uma caminhada de três ou quatro quilómetros com o meu cunhado, único suficientemente maluco para andar a pé com aquele tempo.

 

Metemos por estrada asfaltada que de tanta a água que por ela escorria, fazendo ondas, parecia percurso de surf no Alto-Minho interior. Quando chegamos ao café do Cunha a roupa impermeável tinha deixado de o ser, o pólo de mangas compridas debaixo do blusão completamente encharcado. Percurso celebrado com uma mistura de favaios e cerveja para ganhar coragem para a subida de quase mil metros que nos esperava.

 

Malas feitas, regressado à cidade, tudo me parece demasiado ruidoso, intenso, luminoso, uma espécie de caleidoscópio que entontece e enjoa.

 

Castigo o corpo com caminhadas de e para a baixa, quilómetros para cá e para lá. Levam-me as pernas – ou a cabeça – sempre aos mesmos locais de que sou pedra, azulejo, janela envelhecida, como se de um modo só meu me tivesse fundido com aquelas ruas e casas.

 

Sobre o nada escrevo, porque dele é composto o meu dia-a-dia. Nada há de grandioso por detrás das minhas nuvens.

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  • Fernando Lopes

    E dizemos isto como se tentar ser boa pessoa fosse...

  • pimentaeouro

    Assino por baixo.

  • Fernando Lopes

    É a nossa obrigação, Inês. Impensável ter um anima...

  • Inês

    E o contente que eu fico por saber que há mais um ...

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