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Para ti, avó.

por Fernando Lopes, 21 Dez 15

Não sou, não vou, não posso, não quero, ser hipócrita. As pessoas têm graus de importância na minha vida. Amor total e absolutamente incondicional senti-o duas ou três vezes. Fazes-me falta sempre, mais ainda no Natal, porque tu eras o Natal, particular, só meu, que me acontecia todos os dias. Mais uma vez – já lá vão dez anos – vou estar à mesa sem os teus olhos luminosamente azuis, sem o teu jeito rude de matriarca atarefada, sem o teu amor, o teu bacalhau, os teus ralhetes a fingir pelo excesso de Alvarinho. Nada é como quando estavas, minha cuidadora, minha bimãe. Deixa-me dizer-te um segredo: quando dizias que ninguém cozinhava como tu e te desmentia, era apenas para ser pacificador, nunca, ninguém, consegui como tu escrever amor sob a forma de comida. Para te sossegar, digo-te que, estranhamente ou talvez não, estás lá, como se de forma mágica ainda supervisionasses tudo. De modo diferente é certo, estarás sempre connosco, comigo. Bom Natal, Vó.

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