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Colaboracionista involuntário.

por Fernando Lopes, 22 Nov 15

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Um amigo trouxe esta foto velha de 42 anos. Festa de final de ano, exibição de ginástica da 4ª classe, Junho de 1973. Ali estou, bem ao centro, roupa de ginástica imaculada, um despropositado relógio no pulso, exibindo-me perante dignatários do regime. A bandeira da Mocidade Portuguesa como fundo. Educado sob a batuta do terror, em que um erro significava chapada, reguada ou palmatória certa, não me colocava questões sobre o regime, o que estava ali a fazer, quem eram as personagens sinistras na mesa de honra. Fazia o que me mandavam. Cresci, aprendi, ensinaram-me a questionar tudo. Visto hoje, percebo que em 52 anos de vida já cruzei dois mundos, que a luz e as sombras muitas vezes se confundem.

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Derrotas.

por Fernando Lopes, 22 Nov 15

As boas histórias nunca falam das vitórias, mas das derrotas estrondosas. Embora Roald Amundsen tivesse vencido a corrida ao Pólo Sul, no estrangeiro é Robert Scott que o mundo recorda. Nenhuma das vitórias de Napoleão é tão memorável quanto a derrota de Waterloo. O orgulho nacional da Sérvia assenta na batalha contra os turcos em Kosovo Polje em 1389, batalha essa que os sérvios perderam de forma estrondosa. E veja-se Jesus! O símbolo que representa o homem que dizem ter ressuscitado deveria ser um homem de pé no exterior do túmulo a acenar. No entanto, ao longo dos tempos, os cristãos preferiram a imagem da derrota: o momento em que estava pregado na cruz e prestes a desistir. Porque é sempre a história da derrota que mais nos impressiona.

 

JO NESBO, «O BONECO DE NEVE»

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    Sem,de todo - que fique claro, ao contrário daquel...

  • Fernando Lopes

    CC, tem alguma razão, mas apenas lhe posso falar d...

  • Fernando Lopes

    O toque pode ser uma forma de exprimir afecto, pod...

  • Fernando Lopes

    Há uma fronteira, muito vezes ténue, entre corteja...

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