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Ter ciúmes.

por Fernando Lopes, 11 Nov 15

Há muito que o ciúme é coisa remota, mas nem sempre foi assim. Na adolescência e juventude era extraordinariamente possessivo. Entendo hoje que essa vontade de querer assumir o controlo do outro estava ligada à minha insegurança e não a factos concretos. Essa incapacidade de assumir as minhas fraquezas, tipicamente adolescente, toldava-me o raciocínio.

 

Na verdade, quando gostamos muito de alguém queremos que esteja sempre connosco, nunca nos falhe, jamais traia. Nem sempre é possível, temos de viver com isso. Entende-lo é meio caminho para esquecermos essa angústia permanente que se caracteriza por questionarmos a toda a hora a lealdade do outro.

 

Todos somos ciumentos, ou pelo menos temos ciúmes ocasionais. É normal. Tu tens, eu tenho. Engraçado é quando em casamentos de longo curso como o meu, a minha mulher ainda manifesta ciuminho de quando em vez. Irrita, mas logo lhe perdoo, pois é a única que ainda vê em mim alguém passível de ser capturado por amores externos.

 

Depois de reflectir, acho que é mais hábito que outra coisa, já nem coberto de ouro e com banho de diamantes me pegam.

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