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Morto por dentro.

por Fernando Lopes, 30 Nov 15

Lentamente, apercebemo-nos que as palavras nada valem. Que a dor se instala e toma conta da alma. Há quem na angústia gere obras de arte, outros como eu, num exercício vão de onanismo tentam a catarse através de palavras, palavrinhas e palavrões que são imprestáveis. Quando algo se quebra em nós resta contemplar os cacos, como se uma visão externa se tratasse. Não existe remédio para esta ânsia de viver que tropeça nos sobressaltos da velhice. Melhor calar-me por ora, até que a vontade de viver e partilhar volte. Morram as ilusões, viva a ilusão!

 

Fecha-se temporariamente esta taberna, esperando que as obras de remodelação no taberneiro surtam efeito. Até sempre.

 

P.S. - Sem outras maleitas que não as da alma, agradeço a simpatia e carinho demonstrados. Porque sei que mesmo por entre o céu mais cinzento há sempre um raio de luz, não é isto um adeus, apenas um até breve.

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Este Porto que amo.

por Fernando Lopes, 28 Nov 15

12292799_1681960555415773_712941085_n.jpgEscada dos Guindais

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Sabedoria ouvida por aí.

por Fernando Lopes, 27 Nov 15

Melancia grande e mulher boa nenhum homem come sozinho.

ADÁGIO POPULAR

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O meu 25 de Novembro.

por Fernando Lopes, 25 Nov 15

Como já aqui contei, o pai foi durante os longos anos do fascismo, simpatizante do PCP. Chegou a distribuir o «Avante» e esteve detido quando em 1973 regressava de Londres com um livro sobre a pintura russa no Séc. XX. Não o agrediram, apenas interrogaram horas a fio sobre o seu interesse «nos russos». Como não se descaiu, sem prova que se visse, libertaram-no com um aviso para moderar o interesse na arte do país da revolução bolchevique.

 

Aquando do 25 de Novembro já era dissente do rumo que as coisas tinham tomado, e céptico face a uma revolução que não era apoiada pelas «massas populares», como então se dizia. Mantinha no entanto relações estreitas de amizade com militantes e simpatizantes «do partido».

 

Telefonou-lhe o Paulinho, velho comunista que queria parar a «contra-revolução» e propunha-se, armado de serra mecânica, ir cortar as árvores do separador central da Circunvalação, alegadamente para impedir a saída dos militares do R.I.P.

 

Apenas com 12 anos, o pai meteu-me no Mini e fomos a casa do Paulinho tentar demovê-lo daquela ideia louca. Juntou-se-nos um outro amigo, e à custa de muita contra argumentação e alguma força de braço conseguimos impedi-lo de prosseguir com aquela ideia peregrina.

 

Diga-se o que se disser, pense-se o que se pensar, constato o óbvio: os tempos do PREC eram infinitamente mais animados.

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Ateu, graças a deus.

por Fernando Lopes, 24 Nov 15

Algo que ostento com certa soberba é o facto de não ter sido baptizado, algo absolutamente invulgar nos idos de 1963. As religiões, dogmáticas por natureza, sempre foram obstáculo ao livre pensamento. Tiveram os seus membros brilhantes, que defenderam a liberdade, igualdade, justiça, mas sempre foram excepções, já que qualquer religião oprime, normaliza, arregimenta. A nossa finitude, o porquê de aqui estarmos e sermos, são questões que não encontram respostas na filosofia, muito menos na religião.

 

Os fanáticos islâmicos que matam quem vive de modo diferente do que um texto medieval preconiza, os padres pedófilos, conventos que escravizam noviças, loucos judeus que impedem a autodeterminação de um povo, são todos farinha do mesmo saco.

 

Ser ateu e não querer nada com a pestilência fanática e acrítica das religiões é a única atitude possível para um ser pensante digno desse nome no século XXI.

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Colaboracionista involuntário.

por Fernando Lopes, 22 Nov 15

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Um amigo trouxe esta foto velha de 42 anos. Festa de final de ano, exibição de ginástica da 4ª classe, Junho de 1973. Ali estou, bem ao centro, roupa de ginástica imaculada, um despropositado relógio no pulso, exibindo-me perante dignatários do regime. A bandeira da Mocidade Portuguesa como fundo. Educado sob a batuta do terror, em que um erro significava chapada, reguada ou palmatória certa, não me colocava questões sobre o regime, o que estava ali a fazer, quem eram as personagens sinistras na mesa de honra. Fazia o que me mandavam. Cresci, aprendi, ensinaram-me a questionar tudo. Visto hoje, percebo que em 52 anos de vida já cruzei dois mundos, que a luz e as sombras muitas vezes se confundem.

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Derrotas.

por Fernando Lopes, 22 Nov 15

As boas histórias nunca falam das vitórias, mas das derrotas estrondosas. Embora Roald Amundsen tivesse vencido a corrida ao Pólo Sul, no estrangeiro é Robert Scott que o mundo recorda. Nenhuma das vitórias de Napoleão é tão memorável quanto a derrota de Waterloo. O orgulho nacional da Sérvia assenta na batalha contra os turcos em Kosovo Polje em 1389, batalha essa que os sérvios perderam de forma estrondosa. E veja-se Jesus! O símbolo que representa o homem que dizem ter ressuscitado deveria ser um homem de pé no exterior do túmulo a acenar. No entanto, ao longo dos tempos, os cristãos preferiram a imagem da derrota: o momento em que estava pregado na cruz e prestes a desistir. Porque é sempre a história da derrota que mais nos impressiona.

 

JO NESBO, «O BONECO DE NEVE»

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Romântico pragmático.

por Fernando Lopes, 19 Nov 15

Desde tempos imemoriais que faço de conselheiro sentimental. Nunca entendi o porquê, eu, com um curto historial de paixões, intensas e duradouras é certo, mas sem nada que mereça um átomo de interesse alheio.

 

Talvez uma das razões se prenda com o facto de amiúde me relacionar com gente mais nova. Nunca fui paternalista, talvez isso tranquilize os meus jovens amigos. Amo amar, mas também com desprendimento sou capaz de deixar que o outro voe livre, sem amarras ou convenções.

A felicidade escreve-se sempre a quatro mãos, só precisamos encontrar as duas que nos faltam para escrever a mais bela e simples forma de poesia, o amor.

 

Contava-me esse meu amigo, que por erros seus e má fortuna, se encontra afastado da mulher que ama. Tem ela outra relação que me parece tão sólida como ovo à beira do abismo. Manifestava alguma preocupação, até ligeira obsessão com o que seria o seu futuro e o da por ora inalcançável amada. Brindei-o com filosofia de algibeira que ouvi num filme: «Nunca corras atrás de mulheres ou autocarros, de uma maneira ou outra acabas sempre por ficar para trás».

 

É uma verdade crua, mas quase incontestável. A insistência não é coisa que as mulheres apreciem, têm o seu tempo e os seus mecanismos de decisão próprios, algo que nunca entenderemos. Têm também o sumo poder de dizer sim ou não, e com isso transformar a nossa existência em paraíso ou inferno. Dado esse – e outros – mistérios, é sempre melhor deixar a mulher ser o motor de arranque de uma relação. Disse.

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Fui eu mesmo que fiz.

por Fernando Lopes, 18 Nov 15

Ter sido pai aos 42 é gerador de equívocos. Embora a maternidade e paternidade tardia se tornem cada vez mais frequentes, tenho de aceitar que um tipo grisalho – para dizer a verdade com mais brancas que outra coisa – passear-se com uma criança pequena pela mão não é vulgar. Por mais que uma vez me tomaram por avô da minha filha. Não lhes levo a mal, o normal entre os meus amigos é terem filhos na faculdade.

 

Uma vez, numa confeitaria, sentamo-nos, pedi um café e um croissant para mim e interroguei a cria. O empregado era um jovem, nos seus vinte e poucos. A filha apenas quis húngaros.

 

-  A sua neta não vai querer beber nada?

 

- Fui eu mesmo que fiz, não é neta, é filha.

 

Valeu pela prontidão da resposta e por ver o rapaz ruborescer e desfazer-se em desculpas o tempo todo.

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Já te dou o arros... doçe

por Fernando Lopes, 17 Nov 15

IMG_1952.JPGPraça dos Poveiros, Porto


Nota: Durante o cerco Miguelista aos liberais da cidade, conhecido como «Cerco do Porto», os habitantes da invicta alimentavam-se essencialmente de arroz. Consta que foi durante o tempo em que estiveram sitiadas que as mulheres portuenses criaram a receita de arroz doce. De qualquer forma, estavam tão cansados de comer sempre o mesmo cereal que comer arroz era sinal de castigo. As expressões «eu dou-te o arroz» ou «já te dou o arroz» passaram a ser usadas pelas mães como aviso de punição aos mais pequenos.

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