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O homem que detestava compras.

por Fernando Lopes, 29 Out 15

Se me querem ver trombudo e a bufar mais que uma chaleira, é fácil: metam-me num centro comercial e obriguem-me a ir às compras. Seguindo os velhos planos quinquenais da economia planificada russa, também eu compro roupa por atacado só para evitar ter de andar de loja em loja a vestir e despir. Convidem-me para ir à FNAC gastar dinheiro em livros e CDs e fá-lo-ei com todo o gosto. A compra de tralha para vestir é coisa que evito a todo o custo. Esta minha aversão está a pré-configurar uma tragédia. Os fatos estão todos coçados, as gravatas em estado duvidoso, os sapatos a gritar «troca-me», até as inseparáveis Levi’s e botas Timberland pedem reforma urgente. Todos os fins-de-semana prometo a mim próprio ir tratar do problema e todos adio. Quando encontro um fato que me fique relativamente bem, trago dois iguais mas com cores diferente; nos sapatos é mais ao menos idêntico. Com tantas profissões por aí, podia haver alguém que comprasse as roupas por nós. Gastaria algum dinheiro extra com gosto só para não ter o incómodo de andar de loja em loja. Sei que soará estranho para as senhoras, mas o prazer que me dão estas obrigações é quase o mesmo que ir ao dentista.

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