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Da passividade dos portugueses.

por Fernando Lopes, 18 Out 15

 

A única indignação séria dos portugueses é o facto de roubarem um penalty ao seu clube. Tudo o resto é irrelevante para este bando de morcões a que me coube por sorte pertencer. O vizinho bate na mulher? É lá com eles; A rapariga foi violada? Andava de mini-saia; Houve um aumento brutal de impostos? São todos uns ladrões.

 

Hoje faltou a luz. Moro num empreendimento constituído por seis blocos de apartamentos e 178 habitações. Situado numa zona de classe média, média-alta, tenho por vizinhos professores, quadros, juízes, médicos, engenheiros. Gente supostamente civilizada, com sentido de comunidade.

 

O triple-play é uma coisa muito janota, mas quando ficas sem electricidade o router desliga-se, e nem o telefone fixo funciona.

 

Passados quinze minutos, munido do telemóvel, resolvi ligar à EDP avarias. Estava convencido que alguma das mais de 300 almas que habitam este condomínio já teria tido a preocupação de alertar para a situação.

 

Nada, niente, nicles, neribi. Fui o primeiro – provavelmente o único – a telefonar, e quando manifestei surpresa o rapaz do lado de lá da linha deu uma ligeira gargalhada e disse: É normal.

 

Os portugueses são absolutamente passivos até que o céu lhes caia em cima da cabeça. Não existe sentido de colectivo, comunidade. Envergonho-me de ter nascido neste antro que se julga europeu e procede diariamente como o mais relaxado dos africanos.

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