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Luta de classes.

por Fernando Lopes, 16 Ago 15

Gosto de escutar conversas, é muito mais educativo do que se pensa. Por isso alegro-me sempre que encontro ao pequeno-almoço duas mulheres de meia-idade, redondas e pequeninas, a conversar animadamente. Tomo café ao balcão e admiro a sua pose de patroas. Fartas de servir, estão ali para serem servidas. Sentam-se numa minúscula mesa e não mexem uma palha para ir buscar o que quer que seja ao balcão. Anda a proprietária para lá e para cá já que as Exas. além de pedirem com maus modos não se querem deslocar.

 

Pela conversa apercebo-me que se trata de duas ex-operárias que perderam o emprego e que «graças a Deus estão muito melhor agora». Falam com um ódio ao patronato que nunca vislumbrei em intervenção do camarada Jerónimo. Se ser comunista não fosse pecado certamente estrariam no comité central.

 

Ambas fazem a velha jigajoga de receberem a dois carrinhos, pelos «patrões» e pelo subsídio de desemprego.  Uma faz limpezas em duas casas, a outra cuida de um idoso. A segunda é particularmente acintosa e reivindicativa. Disse à patroa que todos os dias saia mais tarde, que não estava satisfeita e que o drama era ter-se afeiçoado ao velhinho que cuida e leva a passear. «Disse-lhe tudo, até me deu os cinquenta euros, agora são setecentos e cinquenta, mais o subsídio, que agora, como já passaram não sei quanto anos é poucachinho, só cento e tal».  

 

Há muitos casos assim, e neste admirável mundo velho, a crise não é igual para todos. Estas mulheres venceram à sua maneira, tendo como inimigo não o poder mas as casas e impostos de classe média que as sustentam. Por muito está tudo bem desde que não tenha megeras deste calibre a limpar-me o rabo se chegar a idade para tal.

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