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Epifania da morte.

por Fernando Lopes, 4 Ago 15

Recordo-me bem. Teria nove ou dez anos. Subitamente, do nada, uma ideia fica clara na minha cabeça: vou morrer. Esta súbita tomada de consciência da mortalidade é um momento de profundo terror. Senti calafrios, um tremor na boca do estômago. Aninhei-me em posição fetal, senti todo o corpo gelar e encolher como se a morte ela mesmo me tivesse vindo anunciar a sua presença, a dizer: estou aqui, sou a única certeza da tua vida. Agora que me conheces habituar-te-ás à minha companhia, ignorar-me-ás, mas estarei sempre presente.

 

Aprendemos a dominar este medo, a viver com ele. Até hoje nunca tinha partilhado este episódio com ninguém, pois não sabia se era uma singularidade ou algo comum. Um destes dias a minha filha a meio da noite entra pelo quarto dentro a chorar. Também ela tinha visto a ceifuda, tomado consciência de que não era para sempre. Eu, pai híper-protector manifesto a minha incapacidade em lidar com esta epifania. Apenas lhe disse que esse momento era distante, um sono de que não se acorda, natural porque tudo o que vive morre.

 

A paternidade coloca desafios imprevisíveis, não estava de todo apto para falar sobre morte com uma criança de dez anos.

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  • Fernando Lopes

    As pessoas devem poder vestir-se como lhes apetece...

  • Henedina

    Nos EUA é McCartismo

  • Henedina

    Algum bom senso na indumentária?..'Humm

  • alexandra g.

    Sem,de todo - que fique claro, ao contrário daquel...

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