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Carroceiro.

por Fernando Lopes, 12 Mai 15

Dizem que mostramos o nosso verdadeiro eu por detrás do volante. Assim sendo, sou um carroceiro da pior espécie, capaz de envergonhar o taxista mais afoito. Sou obcecado em chegar a horas, detesto atrasar-me seja para o que for. Sigo a máxima de António Variações, «tenho pressa de partir/quero sentir ao chegar/a vontade de partir/pra outro lugar».

 

Isto faz com que no trânsito citadino ande sempre que possível acima das velocidades legais, ignore traços contínuos, exaspere com os canguinhas.  Nunca em quatro anos a minha filha chegou tarde às aulas. Normalmente insulto os condutores da frente com epítetos graciosos como filho da p…, urso, camelo, morre-ao-sol, e por aí fora. É completamente ineficaz mas libertador.

 

Acompanha-me nestas viagens a criança, que já se habitou ao linguajar, e, estou certo, de rédea solta faria corar algumas peixeiras do Bolhão. Até hoje, ouvia apenas.

 

- Para que é que travaste, palhaço, ficou agora amarelo!

 

Quem o disse não fui eu, mas uma vozinha no banco de trás, sentada na cadeirinha. Olhei e retorqui:

 

- Tilucha, aqui quem insulta sou eu.

 

A ver se modero a linguagem, caso contrário a pequena ficará impedida de viajar seja com quem for que não eu, sob risco de esticar o dedo do meio a um cretino que se atire para cima do carro em que se desloca.

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Pó, Cinza e Recordações

por Fernando Lopes, 12 Mai 15

frenteKplanoK_Po_Cinza.jpg

 

 

Como qualquer adicto em livros, mantenho o hábito de comprar mais que os que consigo ler. No blogue da G. li um pequeno excerto de «Pó, Cinza e Recordações». Fui à FNAC procurá-lo. A menina do atendimento a dizer-me que não estava na base de dados e eu furibundo a dizer que o tinha visto no site.

 

- Pode estar em pré-venda.

 

Assim era, saí dali com o rabinho entre as pernas e «Pergunta ao Pó» de John Fante debaixo do braço. Acabei-o ontem. Uma vez que o dinheiro não é elástico, estava à espera do fim-de-semana para usar os cartões daquela cadeia que me deram de presente.

 

Seria muito bonito se no centro comercial onde almoço não houvesse uma Bertrand. Vi-o, ele viu-me, não resisti, trouxe-o para casa. Em boa hora o fiz, pois escrevo às 2:00 da manhã, 140 páginas lidas depois. Rentes de Carvalho é um enorme escritor. Poucos conseguem fazer literatura à volta de pequenos factos, problemas, dramas e irritações. Este diário nada fica a dever a outra obra de excepção, o seu «Tempo Contado».

 

Absolutamente obrigatório.

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