Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Assédio.

por Fernando Lopes, 21 Fev 15

Em tempos há muito idos, trabalhava este que vos escreve numa empresa de tecnologia de ponta. Por relações profissionais e afinidades fiz amizade com um daqueles rapazes que todas sonham levar para os lençóis. Alto, magro, desportista, extraordinariamente bem-parecido, atraía mulheres por quilómetros em redor. Tive com ele a partilha do que é o assédio. Quando queríamos apenas jantar, embebedar-nos e falar sobre a vida e literatura, o Pedro, involuntariamente, arrastava consigo uma troupe de mulheres enfeitiçadas.

 

Das poucas vezes que estivemos juntos um corrupio de raparigas ofereciam-nos copos, sentavam-se à nossa mesa, languidamente insinuavam-se-lhe olhos dentro. Mais não era o meu papel que acompanhante do príncipe, uma espécie de patinho feio que se tolera por se conduzir ao lado um cisne.

 

Declinou várias vezes convites dengosos, bebidas grátis e companhia feminina em troca da minha. Ser bonito e jovem deve ser bom, ser alvo para todo o mulherio, uma cruz que seria incapaz de suportar.

 

Levou-me a um bar de alterne, o «D. Fraquide». Passado cinco minutos uma meia-dúzia de meretrizes rodeavam-no, oferecendo gratuitamente serviços amorosos. A meu lado uma balofa com mais instinto comercial que líbido.

 

Nessa altura entendi que para homem ou mulher, ter carisma, ser belo, possuir magnetismo animal, mais que uma bênção, é uma cruz. A beleza exterior um martírio que o impedia de coisa tão simples como beber tranquilamente um copo com um amigo. Por muito sedutora que pareça a ideia, uma pele dessas deve ser particularmente difícil de vestir.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Feedback

  • Anónimo

    Dubai, só no Burj Al Arab. Boas férias.Bj MMPS: go...

  • redonda

    Já estive na Tunísia, não tive coragem para andar ...

  • Henedina

    Post...post...post...;)

  • Fernando Lopes

    Nem uma coisa, nem outra. Se fosse comigo, restaur...

subscrever feeds