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Hibernar.

por Fernando Lopes, 10 Fev 15

Gosto de trabalhar. Tal não significa que se ficasse multimilionário passasse o resto dos meus dias no ofício de amanuense. Com muito dinheiro seria uma espécie de Gaugain sem telas ou pincéis, viajaria por ilhas tropicais, admirando colares de flores e seios desnudos de roliças nativas. A escassez de talento para a pintura levar-me-ia a escrever, sendo culpado de uma assentada do assassínio  da nobre arte dos diários de viagem e da ciência da antropologia.

 

Estou-me a imaginar em tropicais paragens, porque trabalhar no Inverno é-me muito difícil. 7:15 e toca o telemóvel. Carrego no botão do «snooze» para mais 9 minutos de preguiça. Repito a operação. Lá fora brilha um sol de fingimento, que ilumina mas não aquece. Puxo o ederdon deixando apenas a ponta do nariz de fora. Estão 3 graus centígrados e está-se bem ali, protegido, uma espécie de útero materno quente e aconchegante.

 

Todos os dias de Inverno representam um enorme exercício de força de vontade, a luta para não ficar a preguiçar. Nado e criado neste semitropical Portugal, é um mistério como é que os povos do norte todos os dias se levantam, vencem barreiras, a neve, e vão à luta. Num clima extremo ficaria a hibernar até que a Primavera chegasse. Mesmo em Portugal é uma hipótese que não desdenharia.

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