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Notas soltas.

por Fernando Lopes, 13 Jan 15

Escrevo enquanto a minha filha dorme. Desde sexta atacada por uma gripe que parece não ter fim, desfazemo-nos em cuidados, dia e noite. Xaropes, pomadas e unguentos, despertador no telemóvel à hora dos medicamentos, o desejo que recupere depressa.

 

Olho para o seu sono, finalmente tranquilo, e vejo naquele pequeno ser a única realização de vida de que verdadeiramente me orgulho. Há muitos, muitos anos, uma namorada que comigo partilhou a juventude manifestava surpresa pela minha inquietude, permanente insatisfação.  A minha mulher acusa-me do mesmo, de estar sempre à procura de algo que não existe.

 

Observo a criança que finalmente dorme e vejo que apesar de envelhecido, em mim nada mudou. Falta-me algo indefinível, estou inquieto, insatisfeito, a querer continuamente girar a vida em 180º e uma vez lá chegado, rodar, rodar, rodar. Um homem de meia-idade que ainda procura um caminho, sem saber exactamente onde quer chegar. Esta busca, insatisfação, cansa. É no entanto demasiado forte para que dela possa abdicar. Podia satisfazer-me com a família, a vida pequeno-burguesa, os livros, os amigos, o trabalho. Nada é suficiente.

 

Enquanto velo a criança penso que é a única coisa que faz sentido neste rodar constante que me inflijo. Sem ela, há muito que me teria concedido o descanso eterno do guerreiro.

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  • Henedina

    Expert :)

  • Henedina

    Minto, também na Índia. Como acompanhava o bandola...

  • Henedina

    Só passei uma noite no Dubai. Gosto mais de nature...

  • Fernando Lopes

    Obrigado, Genny.Enorme, enorme, abraço.

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