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A minha metade feminina.

por Fernando Lopes, 21 Nov 14

Sempre me soou ridícula a ligação mental que certas mães diziam ter com os filhos. Isto antes de ser pai, claro. Nós homens, muito másculos, a expelir testosterona por todos os poros, não somos dados a essas sensibilidades. Verdadeiros machos, honrosa excepção feita a bruxos e poetas, não querem que se saiba que também temos intuição, sensibilidade, e essas coisas tão femininas. Ora eu tenho uma metade feminina, de 9 anos, a quem me ligam laços para lá do que a ciência define como conhecido.

 

Como eu, a minha metade irrita-se, desespera, e bate com as portas. Tal como eu, logo esquece. Como eu, adora prolongar abraços e beijos repenicados, num perpetuar de carinhos que poderiam ser definidos como «pegajosos». Como eu salta, rapioqueira, se há petiscos e dança, pronta para enfrentar a noite, até que esta, cansada e empurrada pelo nascer do sol, nos segrede ao ouvido que são horas de voltar a casa.

 

O elo inqualificável, fino como um fio de teia de aranha e resistente como um cabo de aço, existe. Já o tinha sentido antes. Hoje, com a criança doente, mesmo antes de ligar a indagar do seu estado, sabia que estava bem. Uma comunicação por essa linha inexistente, e pela qual no entanto, transmitimos. Mandando para trás das costas preconceitos, percebi finalmente o que quis dizer Shakespeare quando escreveu «Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia».

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