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Faca na banca de jornais.

por Fernando Lopes, 20 Nov 14

Bowling4columbine.jpg

 

No ano de 2002, Michael Moore lançou um documentário, «Bowling for Columbine», que na sequência do massacre na escola com o mesmo nome, questionava a tradição da liberdade de porte de arma existente nos EUA. Olhámos com incredulidade na facilidade com que os cidadãos norte-americanos podiam adquirir todo o tipo de armas, inclusive material de guerra. Como máxima deste disparate, um banco no Texas, que na abertura de uma conta oferecia uma carabina e respectivas munições. O narrador questionava a sra. do banco, sobre o paradoxo de um lugar apetecível para assaltos, oferecer aos clientes material para os mesmos.

 

- Não acha perigoso? Não lhe parece tolo? Nunca um cliente insatisfeito ou demente vos ameaçou com a vossa «oferta»?

 

Com impassibilidade a bancária achava tudo aquilo absolutamente natural. Rimo-nos – eu ri – das maluquices e idiossincrasias americanas.

 

Hoje, quando fui comprar cigarros à tabacaria do Sr. Lopes, bem por cima do JN e Correio da Manhã, um enorme conjunto de facalhões de cerâmica. Numa pequena tabacaria, em que normalmente só trabalha o proprietário, desprotegida, com dinheiro na caixa, aquilo pareceu-me tão despropositado como a oferta bancária americana. Indaguei-o, reagiu com a bonomia habitual. É natural, nunca aconteceu nada, etc. etc.

 

No dia em que se der um drama, e um tresloucado assaltar, ou pior, matar um pequeno comerciante, de quem é a culpa? É o nosso ridículo assim tão diferente do americano?

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