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Estados alterados de consciência.

por Fernando Lopes, 13 Nov 14

Contrariamente ao pensamento em vigor não me tenho em elevada estima, as mais das vezes não gosto do mundo que vejo. Procuro então atingir estados alterados de consciência. Se fosse poeta como Antero procuraria o nirvana através da palavra escrita, encarnando Amadeu veria o mundo pelas minhas cores. Não tendo nenhum talento especial recorro a substâncias que me fazem ver o mundo e a mim mesmo de modo diverso: o álcool e uma ou outra pedrada. Não é esta fraca prosa conselho para que se embebedem ou fumem haxixe como se não houvesse amanhã; apenas uma descrição dos meus modos ocasionais de fuga da concha que me mantem cativo.

 

Bebedeiras, perdi-lhe a conta. Já me levaram em braços, dancei frente a um polícia que me mandava calar, saí por um tecto de abrir de um automóvel, e, a 20 à hora, criei o «surf urbano», pés em cima do tejadilho, a rasgar o ar. Tenho a felicidade de me rodear de uma panóplia de amigos sequiosos, o que muito facilita a tarefa.

 

O haxixe altera-me a percepção espácio-temporal. Tudo se passa muito de-va-gar, como se o mundo rolasse em câmara lenta, as luzes ganham um brilho especial. Recordo uma subida de carro da avenida da Boavista, em que, fascinado, parava para admirar o alinhamento dos candeeiros de rua e as diversas matizes de luz que produziam.

 

Na Jamaica tive uma «bad trip» de marijuana. Fruto da inexperiência fumei uma broca XXL. Alucinei, o mobiliário voou, estranhei as cadeiras dançantes, deitei-me quando tudo que me rodeava se colocou num plano superior ao meu. Estranho, muito estranho.

 

Serve esta confissão apenas para esclarecer que gosto de sair de mim mesmo, de ver o que me rodeia de outro modo, de atingir estados de consciência alternativos. Não sei se é bom ou mau, apenas o assumir que necessito de mecanismos de fuga da realidade. Não serei propriamente um místico, mas meus caros, é o que se pode arranjar.

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