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Ocasionalmente regular.

por Fernando Lopes, 5 Nov 14

Apesar de não aspirar à beatificação devo ser excelente ouvinte, pois não há cão nem gato que não venha deixar-me no ouvido as suas maleitas. Um colega, 50 anos feitos, um divórcio, uma relação ocasionalmente regular. O paradoxo é simples de explicar: dois adultos divorciados e sem filhos mantêm uma relação que não é bem um namoro ou casamento. Livres, cada um com sua habitação, encontram-se quando lhes apetece. Podem ir jantar fora, ao cinema, passear ou fazer amor. Têm o estranho hábito de nunca ficarem em casa do outro.

 

Queixava-se que algo faltava na relação, num estranho impasse. Ouvi-o com atenção e só pude falar da minha experiência. Uma relação adulta não pode ser descontinuada, ocasional, sem que exista frustração. Amar é partilhar, embirrar por o parceiro não fechar o tubo de pasta dos dentes, mudar uma lâmpada a quatro mãos, ir ao indiano só porque o outro adora, preocupar-se com as compras do supermercado, dividir no momento uma alegria ou angústia. É ter ao lado a pessoa que nos enternece e irrita, saber lidar em comum com as minudências do dia-a-dia. Esta coisa das relações modernas é muito catita, mas amar é ter projectos comuns, sonhos, partilhas. É stressante, tem inconvenientes, mas não ama verdadeiramente quem não é capaz de deixar o outro entrar na sua intimidade.

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