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Morrer de amor.

por Fernando Lopes, 3 Nov 14

Oiço na rádio mais uma «estória» de um casal de idosos, que após seis ou sete décadas de casamento, quando um dos cônjuges falece, o outro apenas lhe sobrevive umas horas ou um dia. Enternecem-se as boas almas com estes amores até morte. Mesmo sendo um brutamontes, não sou insensível, também me comovo. Fiquei depois a pensar no entrelaçar de personalidades que as relações familiares provocam. Provavelmente, na minha ignorância da psicologia, estarei a escrever um enorme disparate, mas sempre tive a sensação que parte da nossa personalidade é apreendida por contágio. Muitas vezes tenho reacções idênticas às da avó que me criou, reconheço na filha modos meus, copiei da mulher pequenas manias. Pode o convívio de décadas, suportado por uma relação familiar ou afectiva, criar não apenas este cruzar de personalidades, mas laços invisíveis que uma vez quebrados façam com que o desgosto conduza a uma «morte por simpatia»? Quanto de nós é exclusivamente nosso ou adquirido e partilhado?

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