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A procura do sagrado, do que transcende, é importante para muitos dos que me rodeiam, cada vez mais irrelevante a nível pessoal. Sou dos poucos da minha geração que não foi baptizado, não teve educação católica, que desde tenra idade pôde escolher. Escrevo sobre morte porque, uma vez mais, estive num funeral. Sinto-me colocado num daqueles tapetes gigantes das fábricas que conduzem a carne até ao vazio. A fila da frente caiu nesse abismo desconhecido, eu sou a seguir, olho a distância que me separa da queda com total indiferença. Não me comovem os rituais da igreja, o padre que diz a missa com a insensibilidade de um escriturário, a esperança em algo indefinível, melhor, perfeito. As coisas são como são, átomos e nada mais. Com a idade e a proximidade da morte, muitos tentam agarrar-se a uma forma vã de permanência, de existir. Nada vejo excepto o tapete que rola, a ritmo certo, com destino inexorável. Não encontro Deus e ele faz questão de me evitar.

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