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Como português há cinquenta e um anos ganhei uma enorme indiferença perante a incompetência dos governantes. Pensava que já tinha visto tudo, que nada me poderia surpreender ou indignar.

 

Há no entanto uma questão a que sou extremamente sensível; detesto que me tomem por parvo. Ora isso não tem parado de acontecer nos últimos dias, sem que ninguém assuma responsabilidade pelos falhanços. Ser líder não é apenas «mandar», é coordenar uma equipa e os seus projectos, aceitar com humildade os sucessos, dar o peito às balas nos fracassos. Não é uma prática corrente, bem sei, basta olhar para o néscio que este povo brando e parvo elegeu para PR.

 

Nunca ocorreram problemas significativos, apenas pequenos sobressaltos, que se resolvem com desculpas, como se este tipo de penitência fosse suficiente ou mesmo digno de um governante.

 

Paula Teixeira da Cruz, sempre tão rápida a pedir a cabeça dos seus antecessores, tem a desfaçatez de afirmar que existiram «perturbações» com o Citius, quando todos sabemos que a justiça esteve paralisada durante praticamente um mês.

 

Crato, o bom do Crato, o do «rigor e exigência», aplica-os a todos menos a si mesmo. Um início de ano escolar caótico, erros nas listas de professores, crianças ainda hoje sem aulas. A pérola sobre a questão das colocações: «Todas as minhas afirmações na altura têm de ser lidas com atenção e interpretadas dentro do quadro legal. Os professores mantêm-se, disse. Mantêm-se até às novas listas de colocação corrigidas, que tacitamente revogam a anterior. É a lei.» Algo digno de Pôncio Pilatos.

 

A fleumática ministra das finanças que garantiu que a solução encontrada para os despojos do BES «não continha qualquer risco para os contribuintes», desdiz-se afirmando que a Caixa Geral de Depósitos, vulgo contribuintes, pode ter de «assumir perdas».

 

Dentro desta linha, proponho não a demissão dos ministros, mas a sua exoneração por manifesta incapacidade.

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Pessoas que ardem.

por Fernando Lopes, 8 Out 14

... porque só me interessam as pessoas doidas, que estão doidas por viver, por falar, desejosas de tudo ao mesmo tempo e nunca bocejam nem dizem nada banal... mas que ardem, ardem, ardem como fogos-de-artifício riscando a noite.

 

Jack Kerouac «Pela Estrada Fora - O Rolo Original»

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