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A linguagem é um vírus.

por Fernando Lopes, 1 Out 14

Um amigo de longa data é homossexual. Tal nunca lhe deu direito a tratamento especial na caserna verbal que frequentemente criamos. Digo muitas vezes «deixa-te de paneleirices», sem que isto implique algum tipo de avaliação das suas preferências sexuais. Chamaram-me à atenção, porque a linguagem, marca, diminui, estigmatiza. Ora neste caso, a expressão surge sem carácter ofensivo, apenas com o sentido de «não sejas conas» ou «não me venhas merdas». Recuso-me terminantemente a linguajar de modo diferente apenas porque a sexualidade do meu amigo não é convencional. Se alterasse a verbalização para «não sejas conas» não o estaria a desaconselhar a uma mudança de sexo, apenas a dizer, vá lá, alinha com a malta. Exactamente o mesmo que «deixa-te de merdas» não significa que o condene a castigo de obstipação eterna. Por paradoxal que pareça, o modo igualitário de tratar este amigo, é precisamente falar como sempre fizemos, não permitindo que o libertador vernáculo seja aprisionado nas malhas do politicamente correcto.

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