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Bacalhau demolhado.

por Fernando Lopes, 10 Set 14

Um retorno às coisas de antanho, rubrica já há algum tempo esquecida. Falava das mercearias finas da Rua do Bonjardim, do café moído na hora, dos pinhões com sabor, feijão fradinho e bacalhau demolhado. Os mais novos recordar-se-ão apenas do bacalhau Pascoal, vendido em em embalagens herméticas, asséptico e incipiente como a generalidade dos produtos que hoje consumimos. Os que têm mais de 45 anos terão provavelmente, a mando da mãe, recorrido à mercearia vizinha para comprar bacalhau demolhado. Numa situação de urgência, e não havendo tempo para tratar convenientemente o fiel amigo, recorríamos aos estabelecimentos gourmet da época, as mercearias. Numa bacia, mergulhadas em água, estavam postas do gadídeo, prontas a serem cozinhadas. Claro que isto aconteceu em tempos remotos, muito antes do higienismo fascista imposto pela ASAE. Exalavam um cheiro muito próprio que algumas almas maldosas associavam ao «perfume» da intimidade feminina. Tudo mitologia urbana. Como podem imaginar, fiquei ligeiramente surpreso quando o primeiro pipi com que tive contacto íntimo exalava agradável odor, ligeiramente perfumado, longe da intensa e azeda fragrância do bacalhau demolhado.

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