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O poder da esmola.

por Fernando Lopes, 4 Set 14

Como qualquer que preze a sua condição humana, gostaria de viver num mundo onde a caridade fosse desnecessária. Infelizmente estamos longe desse sonho simples, e, muitas vezes, doar é necessário. Faço-o com regularidade mensal a uma instituição que diariamente percorre as ruas desta cidade com comida e palavra amiga. São de inspiração cristã, o que a este ateu convicto não causa incómodo. Generosidade é um substantivo feminino que não tem credo.

 

Vem esta prosa a propósito de um homem que, à minha frente, dava dinheiro a um marginal, e não omitiu a clássica graçola: «não gaste tudo em vinho!». Pode parecer simplesmente um momento de mau-gosto, mas pôs-me a pensar em como é muito mais que isso. É poder.

 

Alguém que tem dinheiro, tem poder. Ao dá-lo a outro acha-se no direito de lhe dizer, «segue os cânones, comporta-te como é esperado, não sejas ovelha tresmalhada». Reflecti  naquilo e em como ter uma nota no bolso nos dá a possibilidade de exigir um determinado comportamento. Nunca o fiz por mero acaso, a partir do momento em que ganhei essa consciência, estou certo que nunca o farei.

 

Ao dar dinheiro a alguém devo deixar que o gaste como entender, sem os meus constrangimentos morais. É drogado? Alcoólico? Prostitui-se? Não tenho que fazer julgamentos, apenas dar. Muito mais que dinheiro, dar liberdade.

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