Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Se perguntarem aos homens o que apreciam mais numa mulher, uma enorme percentagem dirá que é a inteligência. Uma meia verdade; olhamos primeiramente para o rosto, rabo e peito, não necessariamente por esta ordem. Depois de conhecermos a mulher em causa poderemos admirar-lhe a argúcia, mas mente quem disser que o animal, numa primeira observação, não se sobrepõe ao racional.

 

Não creio que nas mulheres seja muito diferente, talvez apenas mais subtil. As feromonas, hormonas e similares são base de uma primeira apreciação. Recuso-me a deixar de lado esta animalidade que nos é tão natural, ou como confidenciou um idoso, «meu caro amigo, o facto de não se tourear não significa que não se seja aficcionado».

 

Chegado à meia-idade e não colocando à margem o aspecto físico – sempre importante – o que verdadeiramente me motiva numa mulher é o seu coração, generosidade, empatia. Num mundo competitivo tendemos a sobrevalorizar as capacidades que nos permitem o sucesso pessoal e profissional. Admiro mulheres inteligentes, tenho-lhes até inveja, mas nada me consegue tocar tão profundamente como a capacidade de se dar, partilhar, sentir. O intelecto, por si, define parte do ser humano, dá conhecimento, capacidade de análise e solução de problemas, mas não é tudo.

 

Conheço pessoas inteligentes intrinsecamente más, que manipulam, distorcem. A inteligência sem coração é tão inútil como barco sem mar. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

Ser magro é uma coisa, ser isto é outra. O homem mais cobiçado do mundo, aquele que poderia escolher quem quisesse, foi contrair matrimónio com um cabide sobre pernas. Pode a rapariga ser inteligente, com sentido de humor e bem-parecida, mas se não é anorética, parece. A pobre da moça tem ar tão frágil que sexo mais vigoroso acabará por causar dano. Já não falo na pimbalhice de «fechar» Veneza, coisa de novo-rico e possidónia até mais não, mas fica o aviso para as estimadas leitoras do blogue, isto não é elegância, é doença.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temas:

«Hás-de ser infeliz toda a vida!»

por Fernando Lopes, 28 Set 14

A frase, leio-a páginas 165 de «Montedor», uma espécie de síntese da demanda do protagonista. Recuo décadas porque também eu ouvi esta sentença da boca da avó, incapaz de compreender a angústia, inquietação, mal-estar, que as mais das vezes me acompanham. Uma insatisfação, um permanente vazio, sempre presentes, mesmo nos dias mais solarengos. Inútil dizer que é caminho que se não escolhe, antes praga que persegue, porque a felicidade das coisas simples, a do que é igual aos outros, do que esperam de nós, sempre parece insuficiente. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Perdidos & achados na KLM

por Fernando Lopes, 27 Set 14

e agora ponham lá um gato a fazer isto ...
 

Autoria e outros dados (tags, etc)

São despesas de representação, senhor!

por Fernando Lopes, 26 Set 14

Um casal gay, Pedro e Paulo, tinha um modo de vida frugal. Pedro, o africano, um rapaz bem-intencionado, sonhava com a cooperação entre os povos e leva desinteressadamente ajuda aos pobrezinhos. Mas Paulo era muito forreta, e não deixava que se gastasse dinheiro da CE a ajudar necessitados, em aeródromos inexistentes, que formavam pessoal sem função ou préstimo, já que lá nenhum aparelho poisava e coisas assim. Paulo gostava era de submarinos, escafandros e coisas que andassem debaixo de água.

 

À revelia do companheiro, Pedro envolvia nas saias cachupa e outras comidas para dar aos famélicos. Paulo surpreendeu-o um dia, quando este estava a dar benesses desnecessárias a pobres que eram claramente «pobres acima das suas possibilidades».

 

- Que trazeis nas saias, senhor Pedro?

 

- São despesas de representação, senhor.

 

Paulo era muito desconfiado e disse: - mostra lá!

 

Pedro levantou as saias e Paulo ficou muito admirado com aquilo que viu.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Estrategas e carregadores de piano.

por Fernando Lopes, 25 Set 14

Nunca me realizei pelo trabalho; agarrei o que surgiu, fiz o melhor que pude. O sonho, como já aqui confessei, era ser locutor de rádio, entrar pela madrugada dentro a passar o melhor do pop-rock. Talvez por isso, raramente falo de trabalho, apenas um meio para garantir a subsistência, minha e dos que me são queridos.

 

Uma conversa de amigos descambou para essa área. Alguns de nós trabalham em grandes empresas, espalhadas por todo o país, mas com pontos fortes em Lisboa e Porto. Chegámos à mesma conclusão: na capital estão os «departamentos de estratégia», «áreas de planeamento», «áreas de análise e optimização», «gabinetes de estudos» e tudo que no mundo empresarial pomposamente se designa por macro.

 

Cá em cima as formigas laboriosas, os executores, as tarefas duras. Um país onde se concentram os ideólogos numa cidade e os carregadores de piano noutra. E isto diz muito sobre a macrocefalia existente, as tão faladas assimetrias, que todos prometem combater e sentados na cadeira do poder, logo acentuam. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temas:

Quando o ciúme é crime.

por Fernando Lopes, 24 Set 14

O ciúme faz forçosamente parte de uma relação? Existe uma dose certa? Quem não é ciumento é anormal? Devo ter gasto a maioria do stock de dor-de-cotovelo na adolescência e juventude. Associo o sentimento a posse e insegurança; não sou proprietário de ninguém e os temores que me roubem a pessoa amada, não passam disso mesmo, temores. Perante abandono ou traição nada mais me restará senão aceitar a evidência que a relação terminou.

 

Não sou no entanto indiferente aos crimes passionais que enchem tablóides, ao sadismo louco de alguns actos. Mulheres desfiguradas com ácido, queimadas, vítimas de sevícias inimagináveis em nome do amor. Ocorre-me esta prosa a propósito de título de um matutino «Homem queima mulher para que ninguém mais a deseje».

 

É isto amor? Existirá castigo adequado para um psicopata deste calibre? Não sou seguidor dos teóricos da justiça de taberna que por aí pululam, mas se não forem aplicados castigos exemplares a este tipo de crime,  mulheres (e alguns homens) continuarão a ser vítimas de manifestações de domínio e desta tresloucada forma de amar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O avião aterra de emergência? Tira uma selfie.

por Fernando Lopes, 22 Set 14

 

Num sentido lato as primeiras selfies serão as representações de arte rupestre de todos conhecidas. Os auto-retratos deram-nos obras-primas da pintura, o ser humano sempre sentiu a necessidade de se colocar perante a sua imagem. Não sou moralista, nem vejo narcisismo desmedido na necessidade que adolescentes ou determinadas tribos urbanas sentem em se retratar para a posteridade. Cada um faz o que muito bem entende com o seu rosto, a tecnologia possibilita que, de modo instantâneo, decidamos partilhar-nos com o resto do mundo.

 

Mas o que era uma moda, às vezes divertida, outras simplesmente pateta, está a adquirir contornos de patologia colectiva. Apesar de ter voado inúmeras vezes, o facto de me deslocar de um lado para o outro sem contacto com o chão deixa-me sempre algo apreensivo. Leio pois com espanto, que no meio de uma aterragem de emergência, algumas almas se entretiveram a filmar e auto-retratar enquanto uma aeronave cheia de fumo, sem um dos motores e com o equipamento de despressurização posto, tiravam selfies.

 

Não sei se admire o sangue-frio a quem o fez ou me persigne por tamanha estupidez. Que passaria pelo pensamento destas estranhas criaturas? Quereriam deixar testemunho em vídeo para os sobrevivos, facilitar a investigação do acidente, ou a demência do auto-retrato sobrepõe-se ao medo e bom-senso? Que gente é esta que perante a catástrofe iminente se dedica a uma espécie de «jornalismo cidadão» insano?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quando o Ganges não correu para o mar.

por Fernando Lopes, 21 Set 14

Iluminação de um relâmpago sobre Cedofeita

Involuntariamente coloca-se o escriba em cima do acontecimento, ou o acontecimento lhe cai, como mosca em mel, rigorosamente em cima. Caminhada com paragem em esplanada de Cedofeita, junto à esquina com a Rua do Mirante, frente a loja onde outrora se estabeleceu saudoso guarda-soleiro. De vizinhança duas dengosas jovens brasileiras e casal galego consumidor de mais «porros» diários que mandaria o bom senso.

 

À minha frente espanta-me esquadria de porta, uns bons graus desnivelada, tombando ostensivamente para a direita. Num nicho da sapataria Teresinha um casal sem-abrigo monta nocturno abrigo.

 

Deve este vosso servo ter ar próspero ou otário carimbado na fronte. Um cigarro para misturar com o haxixe galego, um café para o sem-abrigo, S. Pedro a escoar o excesso de água, deixando-a cair toda sobre esta cidade. Conceder a chuva e trovoada, a água limpa a alma, pecados, omissões, culpas minhas e alheias, ali fico como que purificado por um Ganges que não corre para o mar, mas contra a ordem das coisas, cai impiedosamente. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A ATM do Banco Mau.

por Fernando Lopes, 20 Set 14

19/09/2014, Centro Comercial Cidade do Porto

 

A primeira máquina só me disponibilizava notas de 50 euros. Deambulei pelo centro comercial à procura de alternativa. Lá estava ela, igual às outras, indiferente, a ATM do Banco Mau. Pus-me à sua frente e senti-me numa espécie de roleta, pronto a arriscar a escassa guita que me resta em vinte segundos de relação. Iria a ATM má, através de uma complexa rede electrónica sugar o dinheiro associado ao meu cartão MB? Enquanto introduzia o cartão e digitava o código temi uma mensagem do género: «Todo o seu dinheiro foi usado para tapar o buraco do Banco Mau. Adeus». Não, as máquinas não fazem isso, só os governos, e esses, ao que dizem, são legitimados por uma coisa chamada voto. Recolhi o dinheiro e o cartão. Estava encharcado em suor. Não é todos os dias que estou cara a cara com uma ATM do Banco Mau. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pág. 1/3

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Feedback

  • Fernando Lopes

    É a nossa obrigação, Inês. Impensável ter um anima...

  • Inês

    E o contente que eu fico por saber que há mais um ...

  • Genny

    O Natal está aí à porta. Começa a introduzir esse ...

  • Fernando Lopes

    João, a bicha é surda, foi um pequeno milagre o fa...

subscrever feeds