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Silêncio ensurdecedor.

por Fernando Lopes, 22 Ago 14

Ontem, no jantar em casa da mãe, a confusão habitual. O meu irmão com as inevitáveis piadas e palhaçadas, as cunhadas a trocarem impressões, as mais novas a contarem os episódios do dia. Agrada-me a latinidade, confusão, alegria, conversas trocadas. Uma família é para mim, animada, barulhenta e confusa.

 

Admiro a sobriedade dos povos do norte, mas não é esse o meu modo. Não sei se a personalidade colectiva pode ser assimilada, certo é que os portugueses que conheço que vivem nos países nórdicos, são também eles um modelo de contenção. Falam baixa e pausadamente, são sóbrios e calmos. Se estas características são inatas ou produto de aculturação só eles poderão dizer.

 

Recordam-me deste modo, uma experiência asfixiante. De férias em Palma de Maiorca, optámos pelo local mais calmo da ilha, a umas boas dezenas de quilómetros da confusão cockney  que se vive no centro. À nossa espera um mini-bus que nos levava aos três e a uma família dinamarquesa. Iniciada a viagem os habituais «olha isto, que giro», «que bela paisagem», «senta-te direito, filha». Os nossos companheiros de viagem permaneciam em silêncio, o pai a admirar a paisagem, a mãe a ler um livro, as crianças entretidas com os seus brinquedos. Ao fim de meia-hora continuavam mudos. Nem as crianças emitiam um som. Calámo-nos instintivamente, esmagados por aquela calma. Até à chegada ao destino, nada. Das sensações mais sufocantes que me foi dado viver. Venham as gordas matronas, os putos ranhosos, os fala-barato. Essa é a minha gente, queira ou não. 

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