Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O menino foi ao cabeleireiro.

por Fernando Lopes, 23 Jul 14

Como sabem os meus queridos leitores, fui criado com os avós. Passava no entanto os fins-de-semana em casa dos pais, que à época moravam na Rua da Constituição. O tempo era gasto a assistir aos treinos das camadas jovens do F.C. do Porto no velho campo, lambuzavando-me com os pastéis da «Primazia», a família jantava ocasionalmente no «Chamiço». Uma vida pequeno-burguesa, sem glória ou sobressalto. Na rua ainda hoje existe um barbeiro que naquele tempo seria o que pode designar de requinte médio-superior. Um local onde se falava única e exclusivamente de bola. Ainda hoje lá está, quase intocado, com uma placa luminosa - «Salão Elfma – Cabeleireiro de Homens». Nesse tempo os pais tinham uma empregada interna. Um amigo de juventude, o Daniel, liga para casa com o intuito de acordar onde seria a farra daquele sábado.

- O menino Zézinho não está, foi ao cabeleireiro, responde a solícita rapariga.

Com 16 ou 17 anos fui gozado durante meses, questionado sobre o que fazia num «cabeleireiro», que outro eu era o menino Zézinho. Numa caminhada, passei por lá recentemente e recordei-me desta velha estória e de como as gaffes e locais nos marcam, muito para lá do tempo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Feedback

  • Fernando Lopes

    É a nossa obrigação, Inês. Impensável ter um anima...

  • Inês

    E o contente que eu fico por saber que há mais um ...

  • Genny

    O Natal está aí à porta. Começa a introduzir esse ...

  • Fernando Lopes

    João, a bicha é surda, foi um pequeno milagre o fa...

subscrever feeds