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Ter uma mulher é mau, ter duas é pior.

por Fernando Lopes, 7 Jun 14

Inapropriado, excessivo, temperamental, desbocado, boémio, beberrão, são alguns dos adjectivos que me caracterizam. Por esta e muitas outras estou sempre a ser chamado à razão, ao socialmente correcto, a comportar-me como um tipo da minha idade, pela minha mulher. Não devo ser fácil de lidar, um cavalo com o freio nos dentes, pois se algo ou alguém provoca em mim reacção, vou por aí fora à desfilada. É um sistema de pesos e contrapesos em que a rapariga certinha, de boas famílias, fina e bem-educada, é casada com o canastrão tresloucado. Nunca a enganei sobre o meu modo e ela nunca o aceitou completamente; simplesmente habituou-se. Agora tenho duas mulheres em casa e o meu jeito desabrido é duplamente criticado.

 

Hoje, num almoço tardio, encontrámos uns amigos e logo ali começamos na brincadeira. Como sabem os que me são mais próximos, a conversa dá-me sede, pelo que pedi mais uma cerveja.

- Vais beber outra cerveja? - pergunta a pirralha.

Sei que devia ignorar, que é para meu bem, produto de uma certa maternalidade que têm para com o desvalido cá de casa, mas não consegui evitar:

- Foda-se filha, já não bastava a tua mãe, agora andas tu também a inspeccionar-me?

Aproximam-se anos difíceis com duas raparigas em casa que trazem consigo o gene dos «controleiros» do PCP. 

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