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Outro eu.

por Fernando Lopes, 16 Mai 14

Como saberão os leitores regulares do purgatório, tive um AVC há nove anos atrás. Ocasionalmente sou confrontado com observações em que pareço mais espectador que participante. A Teresa casou comigo há vinte e um anos e conhece-me como ninguém.  Sou confrontado com comportamentos para os quais não tenho resposta, como se desde a doença existissem dois «eus», o que está na memória e outro que quem me acompanha diariamente percebe. Há tempos confessou, num tom casual, que me tinha tornado mais agressivo desde o acidente, explodindo com mais facilidade, sendo mais destemperado e conflituoso. Ontem, quando discorria sobre a tristeza profunda que ocasionalmente se apodera de mim, deixou escapar que só tinha ganho tendências depressivas depois do AVC. Perturbador não me reconhecer neste novo eu, como se coexistissem o homem que (ainda) julgo ser e um outro percepcionado por quem de mim é mais próximo.

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