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Os souks do Porto.

por Fernando Lopes, 31 Mai 14

Final de tarde. Decido-me por uma caminhada pelo centro da cidade, para oxigenar o corpo e limpar a alma. Chegado a Cedofeita deparo com uma feira já a encerrar. No caos organizado há vendedores de presuntos, geleias, sanduiches, bolinhos de bacalhau, rissóis e pastelinhos de nata. Artesanato de madeira, jóias e pano, jovens vestidos de Minnie, Piratas das Caraíbas e dra. Remédios. Passeiam-se por este fim de festa sobretudo estrangeiros.

 

Umas centenas de metros à frente, nas Galerias de Paris, gente com ar de nobreza falida vende memorabilia e antiguidades. Dizem que faz parte da movida tripeira, chamam-lhe «comércio alternativo». O que me vem à memória são os souks de Tunis e Marraquexe em versão europeia. Cínico como sempre, não vejo em quem confecciona frascos de compota, sandes de presunto ou fritos caseiros, uma afirmação gastronómica; não creio que os jovens fantasiados de personagens de banda desenhada estejam no prelúdio de uma carreira nas artes de palco; custa-me a aceitar que as senhoras de ar severo que vendem velhas pratas nas Galerias ensaiem um ambicionado percurso de antiquário.  

 

Tirando as referências culturais – essas sim, maioritariamente europeias – estes mercados parecem destinados sobretudo a aumentar magros orçamentos familiares. Quando éramos jovens, tirávamos tralhas de casa para vender na Vandoma com o intuito de completar a mesada. Agora existe uma transversalidade que me parece reflectir mais necessidade que vontade. Serei por certo excessivamente dramático, mas vejo os souks da minha cidade com alguma tristeza. 

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a sétima onda.

por Fernando Lopes, 31 Mai 14

Admirador quase incondicional de J. Rentes de Carvalho, assisti com enorme prazer à homenagem que lhe foi prestada no âmbito do LeV. Não escrevi aqui sobre a sessão por duas razões: as minhas palavras nada iram acrescentar e por um prazer egoísta de quem resguarda um pequeno tesouro como se fosse só seu. Ao contrário de Soliplass, que tive o enorme prazer de conhecer, o meu talento com as palavras é reduzido, mantendo distância respeitável e embaraçada humildade, quase reverência, perante brilho alheio. Inspirado pelo  meu novel amigo – acho que o posso chamar assim – um frequentador assíduo de alfarrabistas tanto em Portugal como no Brasil, lancei-me na demanda de encontrar antigas obras de J. Rentes de Carvalho, a quem toda a gente, numa familiaridade quase desrespeitosa, tratava simplesmente por «José». Eis o resultado, um livro já com as maleitas do tempo, que lhe dão «estória». Vai directamente para a minha secção de tesouros.

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O.K. Teleseguro.

por Fernando Lopes, 29 Mai 14

- O.K. Teleseguro, fala a Marta.

- Boa tarde, daqui Costa, António Costa.

- Em que posso ajudá-lo, dr. Costa?

- Queria mudar o Seguro.

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Temas:

Drama ao jantar.

por Fernando Lopes, 28 Mai 14

Cá em casa cada jantar transformou-se um drama. À séria, com refilice, birras, gritinhos e tudo. A mulher queixa-se, a filha embirra com a comida. O que deveria ser um momento tranquilo passou a ser um longo confronto diário, tudo porque as crianças hoje são demasiado ouvidas.

- O que é que querem jantar, inicia as hostilidades.

Quando era miúdo era bem mais simples; não havia escolha. O que fosse decidido pelos adultos estava bem. Hoje não, é preciso forçar «amplos consensos» para decidir a papa. Suponho que assim será em muitas casas, mas fico possesso. Nada funciona se não houver alguma hierarquia, organização. Este psicodrama é pateta, muita gente não tem sequer o que comer, estamos a dar demasiada importância às crianças, aos seus gostos e opções. Ouvi muitas vezes «a tua opinião não conta, és o mais novo logo o último a falar». Hoje vivemos numa ditadura infantil. Talvez esteja a ficar velho, mas tenho saudades do tempo em que os adultos decidiam e as crianças obedeciam. Sem manobras de alta política para agradar a todos. 

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Crise na medicina privada.

por Fernando Lopes, 27 Mai 14

Antes da crise conseguir consulta num médico especialista de nomeada era coisa para demorar de três a seis meses, às vezes um ano. Usava-se a famosa «cunha» ou marcava-se no términus de uma a consulta para o ano seguinte. Incapaz de fazer uma avaliação que não pessoal, noto que a procura pelos cuidados privados de saúde diminuiu a olhos visto. No meu cardiologista os doentes regulares já não precisam de se antecipar um mês na marcação, basta uma semana. Tornou-se mais fácil que pentear um careca. A empresa onde trabalho marca um check-up anual aos empregados, uma medida a que nos habituamos e não valorizamos devidamente. Hoje, xixi na mão, lá me dirigi à revisão anual. Mal entro na clínica noto muito menos pessoas que o habitual. Uma vez que a instituição é especializada em medicina do trabalho deduzo que haverá menos empresas a poder suportar tal encargo. Fiz os exames ao sangue, ecografia, raios-X, exame oftalmológico e toda panóplia prevista. No fim, uma consulta. Conversámos sobre os problemas de saúde que me perseguem, os maus-hábitos que fazem parte do meu modo de viver. Descobri que encolhi um centímetro e engordei um quilo. Nada fora do previsto.

- Até para o ano, Dra.

- Até para o ano, será bom sinal, que estamos vivos e ainda temos emprego.

Não me caíram os queixos por mero acaso. A intocável classe médica já equaciona a hipótese do desemprego, nem que parcial. Existirá maior sinal de crise num país que se habitou a venerar os praticantes de medicina?

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Violência não tem sexo.

por Fernando Lopes, 26 Mai 14




A história completa, aqui.

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O que te prendeu o olhar, Fernando?

por Fernando Lopes, 25 Mai 14

Este magnífico pôr-do-sol sobre o Paço dos Duques, Guimarães.

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Nunca demasiado velho.

por Fernando Lopes, 23 Mai 14

Este é um post de género, crítico do meu. Ouvi algures a conversa entre duas jovens raparigas.

 

- E o fulano de tal? Parece interessado em ti.

- Esse é demasiado velho.

- Eles nunca se acham demasiado velhos.

 

Nada mais verdadeiro. Uma parte substancial dos homens de 50 anos acha que uma miúda de 30 está dentro do seu target. Não sei se é pelo ego inflado, auto-defesa, por conservarmos as capacidades reprodutivas até mais tarde, um homem pensa assim. Caricato, principalmente quando cobiçam gente da idade das suas filhas. Nunca demasiado velho para uma miúda gira. Depois aqueles casos, uma imensa minoria, dos que sem filhos, casam com divorciadas que já têm prole. Certo e sabido que vão a correr fazer um filho, ansiosos por provar que «também são capazes». Isto para não falar de patéticos velhinhos que casam com mulheres 40 anos mais novas, afogam-se em Viagra para cumprir e depois sentem-se mal do coração. Não me acho velho, mas sei que não sou desejável ou atraente como outrora; conformo-me. Porque é que a maior parte de nós não se olha criticamente ao espelho e assume que já não é o rapaz de antigamente?

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O computador falou comigo!

por Fernando Lopes, 21 Mai 14

Quando comecei a trabalhar, há quase trinta anos, os computadores eram uma peça rara – e cara. O primeiro PC em que fiz contas com o Lotus 1,2,3 e processamento de texto com o Wordstar custava à época cerca de 3.000 euros. Como trabalhava para a Sonae que era representante da Apple,  passados alguns anos tivemos os primeiros Mac. Trabalhava connosco uma estagiária muito burrinha, Deus a perdoe. Tão burra, que ao consultarmos a agenda de contactos verificámos que registava todos os drs. no D e engenheiros no E.

Um dos tipos da contabilidade descobriu que num dos novos modelos se podia definir o som de arranque. A máquina tinha um pequeno microfone incorporado, pelo que gravou numa voz fantasmagórica:

- Ó Rute, Ó Rute! e definiu-o como som de arranque do sistema.

A miúda chega, liga a maquineta e sai a correr do gabinete:

- Ó dra. Graça, o computador falou comigo! 

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Cor de pele de sardinha.

por Fernando Lopes, 20 Mai 14

Os «escrevinhadores» como eu tendem a ser pouco imaginativos, a repetir prosa e imagens alheias. Hoje pela manhã estava um céu cinza, com aquela estranha luminosidade que lhe dá um tom prateado. Um burgesso aqui como o escriba, armado ao fino, diria «céu cor de chumbo» ou «plúmbeo». A Matilde definiu-o na perfeição com uma imagem original que retrata matizes de luz que tentavam romper as nuvens. Está um céu «cor de pele de sardinha». Toma lá que é para aprenderes. 

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