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A minha rua.

por Fernando Lopes, 29 Abr 14

Por muitas ruas que calcorreie volto sempre «à minha rua», a da infância, onde brinquei, joguei à bola, fui feliz, com aquela satisfação que só faz par com a inocência. Descia lentamente e via gente já morta naquelas casas abandonadas e emparedadas. Vi a D. Palmira, que para mim nunca foi jovem, curvada com o pequeno saco de compras, o velho Ramalhão, à janela a acenar com a boina, a viúva do proprietário dos «Grandes Armazéns do Norte», morena, pequenina e redonda, a entrar para o Rover 3.500 V8 com o auxílio do leal motorista, o velho bar «Bacalhau» com a sua decoração arrojada.

 

A casa do Ramalhão está habitada não sei por quem, a da viúva deu lugar a uma clínica de estética, o bar é um cartório, mas nunca o serão verdadeiramente, por mais pinturas e néons que lhes ponham. Na minha cabeça, ou melhor, no meu coração, tudo permanece imutável. É talvez por essa estranha razão que «a minha rua» se refere sempre à rua da nossa infância.

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