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Por aí.

por Fernando Lopes, 18 Abr 14

Começar a caminhar e deparar com um varredor; para ele não há feriado. É a minha bússola interior que conduz. Numa pequena mercearia também não existe descanso, exibem-se frutas e vegetais, carregam-se caixas. À medida que me vou aproximando do centro da cidade vêem-se cafés, tabacarias e outros pequenos negócios a funcionar normalmente. Cedofeita adentro paro uns minutos num dos mais belos alfarrabistas que conheço, o «Candelabro». Na zona pedonal pode ouvir-se espanhol, inglês, francês, alemão. O meu Porto transformado em atracção turística de massas é algo que ainda me é estranho; não desagradável, não invasivo, apenas estranho. Estacam frente a um cartaz que anuncia «Filetes de pescada com salada russa, 3,90€». Fico parado, a escutar. Provavelmente não entenderam que no centro de uma cidade europeia se pode comer de faca e garfo por menos de 5€. Tanto pior para eles, acabarão esfolados num qualquer restaurante turístico, referido num pocket guide da treta. Nos Leões espanholas apreciam toalhas «preciosas», enquanto os maridos fotografam incessantemente, a armazenar memórias da curta visita em cartão SD. Retorno pelo Rosário, a evitar aquela Babel de línguas. Em Aníbal Cunha vende-se uma pequena casa, quase romântica, certamente resistente, entrincheirada entre dois prédios. É esta a minha cidade, contrastes, cinza, tristonho, ao mesmo tempo exibindo altivez de nobre falido.

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