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Voar.

por Fernando Lopes, 10 Mar 14

O acidente da Malaysia Airlines evocou velhos fantasmas que julgava guardados para sempre. Numa época remota da minha vida profissional tinha de fazer um voo semanal a Lisboa. Todas as semanas, Verão ou Inverno, chuva ou sol. Na altura estas deslocações eram efectuadas nuns aviões a hélice que tinham como capacidade máxima dezanove passageiros, operados pela companhia LAR – Linhas Aéreas Regionais.

 

Escusado será dizer que qualquer espirro da natureza era sentido como presságio de calamidade a bordo daquelas «latas». Antes disso tinha voado apenas duas vezes, a primeira com seis anos, numa avioneta de um amigo do pai, voo do qual não conservo a mais ténue lembrança. A segunda foi uma viagem Porto-Londres com dezassete anos, o meu baptismo a sério.

 

Apesar de ter atravessado o Atlântico uma dúzia de vezes ou mais, sempre detestei os voos sobre a água. Embora em caso de acidente tenha a noção que cair em terra ou água deve ser quase a mesa coisa, fico sempre mais tranquilo se o destino não me levar a cruzar mares ou oceanos.

 

Nesta curta história aeronáutica já tive duas aterragens falhadas e consequente regresso e poiso no aeroporto de Lisboa. Já bebi uns copos para domar o medo, tomei calmantes, fiz respiração «de yoga». As estatísticas diziam que o transporte aéreo é o mais seguro, o número de fatalidades é ridículo face ao número de passageiros transportados. O acidente do avião malaio provocou-me um pesadelo terrível pois colocou-me face a um dos maiores medos; cair no mar.

 

Tantas décadas depois continuo a ter medo de andar de avião, até porque estes andam no ar e as oficinas são em terra. 

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