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Aguadeiro na tempestade.

por Fernando Lopes, 14 Fev 14

A meio da manhã a minha mulher telefona. Como tínhamos estado doentes, eu e a filha, receei que fossem más notícias. Apenas para me comunicar que faltava água no prédio, não conseguia dar banho à cria que tinha transpirado de febre durante a noite. Pode ser que a coisa se resolva. Por volta das 18:00 novo telefonema a pedir-me que trouxesse um garrafão do precioso líquido, pois ainda não havia gota nas torneiras.

 

Imaginei o ridículo de transportar um garrafão de água enquanto chovia a cântaros. Chegado à mercearia do lado, peço:

- Um garrafão de água, s.f.f.

- Não quer antes levar um vinho? Cai melhor e água já temos que sobre lá fora.

Sorriso amarelo, pagamento e ala que se faz tarde.

 

Percorro em plena intempérie os cinco minutos que me separam do parque de estacionamento. A meio uma paragem estratégica para reabastecimento tabágico.

- Ó sr. Lopes, tanta água lá fora e anda a passear um garrafão?

Expliquei brevemente o sucedido, com o sorriso mais pateta que consegui.

 

Chegado a casa – e é sempre assim – a avaria das bombas já tinha sido reparada. Andei a fazer de parvo, a ser alvo de chacota, para nada. Deve haver poucas coisas mais ridículas que um aguadeiro em dia de tempestade. 

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