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Guardado está o bocado…

por Fernando Lopes, 28 Fev 14

para quem o há-de comer. A nomeação de Vítor Gaspar para um alto cargo do FMI não surpreende, é um prémio por «serviços prestados». Faz parte de uma longa tradição política neste país, quem salta do governo assentar poiso em cargos prestigiados e sobretudo bem remunerados. Como dizia a minha avó, mulher simples mais sábia, «quem mexe no mel é que lambuza os dedos».

 

Vítor Gaspar, que na carta de demissão, assumiu um rotundo falhanço das suas políticas, vai para um cargo «acima das suas capacidades».

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Follow Friday.

por Fernando Lopes, 28 Fev 14

Seguindo o desafio lançado pelo Sapo, recomendo hoje um blogue. O “Delito de Opinião” é a minha sugestão. Porquê? Porque há muito que saltou a barreira do comentário político. No “Delito” encontram-se fragmentos da vida, desde os livros, futebol, música, análise sociológica, e claro, política. As almas que todos os dias escrevem nesse blogue são normalmente conservadoras, mas saudavelmente independentes; não há aqui situacionismo, antes uma capacidade de análise e crítica, mesmo do que está do lado da nossa coloração política. Embora discordando amiúde das posições assumidas, é poiso de conservadores inteligentes, o que me leva a admirar o raciocínio, liberdade e desempoeiramento de quem lá escreve.

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Sapo blogs, blogs com gente dentro.

por Fernando Lopes, 27 Fev 14

Todos estamos habituados à crescente automação no atendimento; ligamos para um número que nos dá as opções e, eventualmente, a possibilidade de atendimento humano. No ano e pouco em que o purgatório esteve alojado no blogger quaisquer dificuldades de configuração passavam por uma eternidade de écrans de ajuda e nada mais.

 

Quando mudei para o Sapo, tive um template só para mim, cortesia da Teresa Alves e o apoio técnico do Pedro. Noutros momentos contei com a ajuda da Jonas, que com enorme disponibilidade me deu umas dicas para resolver um problema.

 

Hoje ao ligar o computador tinha um comentário do Pedro. O Pedro é um dos responsáveis porque toda esta traquitana funcione, lida com dezenas de milhares de posts por dia, desenvolvimento, manutenção, sei lá que mais. Que tenha tido a delicadeza de parar por cinco minutos para me desejar as melhoras, comoveu-me. É esta face humana dos blogs do Sapo que faz com que esta seja uma plataforma excepcional. Obrigado, malta do Sapo.

 

E já agora aproveitem a sugestão, passem a chamar ao Pedro «Lord Of The Blogs», assenta-lhe como uma luva. :)

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Velho Diabo.

por Fernando Lopes, 26 Fev 14

Bem-vindos, 51. Numa consulta de rotina foi-me detectada uma «não conformidade» como sói dizer-se. Mandaram-me para casa, e por aqui vou ter de permanecer durante uns dias. Nada de muito grave, apenas o bicho do caruncho a fazer das suas. Vou aproveitar para pôr as leituras em dia, já que no aniversário que passou tive livros e mais livros de presente. Não sou um heavy reader, termo que designa aqueles que consomem mais de um livro por semana, 52 por ano; normalmente é raro ultrapassar um livro por mês. Entre eles recebi do meu compadre de leituras Ricardo, «Os Velhos Diabos» de Kinsgley Amis. Reza assim a contra capa:

 

«Será que as pessoas chegam a crescer? Os velhos diabos desta história são como sempre foram – só que vivem prisioneiros de um corpo que envelhece. É como habitar uma casa que precisa de arranjos que nunca chegam a ser feitos.»

 

Haverá presente mais premonitório?

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Porque estão a terminar tantos blogues?

por Fernando Lopes, 25 Fev 14

É a pergunta de um milhão de dólares; manter um blogue não é fácil, exige alguma imaginação, atenção ao que nos rodeia, disponibilidade e muita disciplina. Depois há o factor moda, as expectativas de cada um, a ânsia de ser (re)conhecido. Qualquer «bloguista» sabe que em 99,9% dos casos a blogosfera é uma pescadinha de rabo na boca; comentamo-nos e visitamo-nos uns aos outros, temos meia dúzia de amigos com pachorra para nos aturar e pouco mais.  Muitos sentem-se desmotivados pelas baixas audiências, outros ficam frustrados por o seu suposto «mérito literário» tardar em ser confirmado. Nada disso importa se através deste meio fora de moda conheces pessoas interessantes, aprendes, convives, tens sugestões de lugares para visitar, restaurantes para enfardar, livros para ler. Através dos blogues foi-me dada a conhecer gente excepcional, uns pelo talento, outros pela sensibilidade, outros ainda pelo humor. Todos os dias recebo muito mais do que consigo oferecer, e só isso basta para que, contra modas e correntes, insista em manter esta taberna aberta.

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O povo é melhor que aqueles que o governam.

por Fernando Lopes, 24 Fev 14

Surgiram na imprensa de hoje fotografias da «casa de férias» do presidente ucraniano. Um luxo kitsch onde se incluem jardim zoológico privativo, campo de golfe de dezoito buracos, uma réplica de um galeão, Bentleys na garagem e uma série de sinais de oligarca, num país pobre. Seria expectável a raiva, a pilhagem dos despojos. Civilizadamente, visitam o palácio, documentam a sua passagem por esta Disneylândia construída com o seu sangue, suor e lágrimas. Nem uma imagem de furto ou destruição. Uma lição de civismo, provando que o povo é muitas vezes, (quase sempre) melhor que aqueles que o governam.

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O ano da cachaça.

por Fernando Lopes, 24 Fev 14

O nativo deste ano será um eterno adolescente aprisionado numa cápsula grisalha de cintura alargada. É um ser tempestuoso, dado a grandes fúrias, compensadas por enormes afectos. É sensível e paradoxalmente rude. Pouco dado a modas, tem um estranho interesse por artistas marginais. Prefere Luiz Pacheco a Lobo Antunes, Rentes de Carvalho a Saramago. Grande apreciador de comida, abomina a moda gourmet, podendo no entanto ser encontrado em restaurantes regionais por esse país fora. Possui uma enorme sede, o que ocasionalmente o leva a estados pouco recomendáveis, acompanhado por amigos que ainda o são menos. Nasceu no Porto e apaixonou-se pelo Minho onde se refugia quando pode. É um ser fiel, pouco dado a empolgamentos amorosos; de facto apenas amou em pleno três mulheres na sua vida, namorando para a mesma há mais de vinte anos. Nas amizades é um couraçado quase impenetrável, mas quem entra no seu coração dificilmente de lá sai. Como a maioria de nós, tem dentro de si um livro que não merece ser escrito. Sofre dos pés como todo o pisciano e oscila com frequência entre a depressão e a euforia. O seu número da sorte é o místico sete e a pedra favorita o jade. 

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Tempus fugit.

por Fernando Lopes, 23 Fev 14

Dentro em breve serei motivo de embaraço para a minha filha; urge pois aproveitar, solícito, os seus pedidos de companhia. Passear no parque da cidade de mão dada, levar pão para os patos, ser um herói por alimentar cisnes e gansos à mão. Tempus fugit, a criança dará lugar à adolescente, não serei mais que um tipo a evitar, uma carteira com pernas, quadradão que ouve rock, admira escritores estranhos, pasma com a natureza, um embaraço.

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Eu, nas palavras dos outros.

por Fernando Lopes, 22 Fev 14

Penso que me comporto quase sempre com valentia, mas o desespero está sempre perto de mim, tão perto quanto um tubarão pode estar do passageiro adormecido de um navio… uma sensação que a vida é uma vaga gigantesca, cheia de crueldade, de densa futilidade, de negra inutilidade.

 

H.G. Wells in “The Passionate Friends”

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Deixem os filhos únicos em paz!

por Fernando Lopes, 20 Fev 14

Anda por aí uma polémica terrível a propósito da imensidão de filhos únicos que são gerados neste país. Uma reportagem do Público perora sobre a protecção excessiva, egocentrismo, incapacidade para lidar com as frustrações e uma série de consequências de fazer corar de inocuidade as sete pragas do Egipto.

 

Na minha humilde opinião antigamente existiam imensas famílias numerosas por outras razões; primeiramente estará a falta de métodos contraceptivos eficazes – o famoso coitus interruptus é altamente falível; as crianças, em particular nos meios rurais e operários, eram uma força laboral a não desprezar e assim foi até aos idos de 80; por último, eram o mais aproximado a um PPR que os pais podiam aspirar: quanto estiver velho, algum dos dez tomará conta de mim.

 

Hoje, quem tiver as crianças a contribuir para o orçamento familiar corre sérios riscos de ir preso, com a pílula e a do dia seguinte só engravida quem quer e as instituições financeiras, seguradoras, e o estado itself, beatificamente, criaram uma série de formas de poupança e seguros que permitem que a maioria dos nossos velhos não morra de inanição.

 

Não, não foram as famílias que se transformaram, a sociedade é que o fez, e ao criar redes de protecção social, indirectamente, transformou o tecido social, a família e a parentalidade.

 

Irrita-me que hoje se considere que ser-se filho único é carregar consigo uma carga de tragédias, fazer parte uma geração de egocêntricos; algumas das pessoas mais auto-centradas que conheço têm um monte de irmãos.

 

Mesmo não sendo uma alma versada em análise sociológica, creio que há muito mais para lá do que vê o olho da reportagem do Público, tão aplaudida pelas alminhas que pensam sempre “no meu tempo é que era bom”, até no que ao fazer filhos diz respeito.

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