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Festas de sonho.

por Fernando Lopes, 27 Out 13

Umas das alterações estruturais da sociedade das últimas três décadas é o papel que atribuímos às crianças. Hoje, os pequenos e médios seres que habitam as nossas casas, têm um papel activo em todas as decisões familiares. Quando era pequeno, o simples expressar de uma opinião era logo desvalorizado com um: és o mais novo, logo, o último a falar.

 

Seria matéria interessante para um antropólogo, sociólogo ou psi, este movimento, das margens para o centro, na estrutura familiar. De uma coisa estou certo: os nossos filhos são muito mais considerados e acarinhados do que as gerações que os precederam, e isso é bom.

 

Ocorrem-me estes pensamentos por ter ontem estado no aniversário de uma criança por quem nutro especial carinho. No meu tempo nem todos tínhamos festa de aniversário. Os que celebravam, faziam-no com tal frugalidade que parece que vivemos há séculos. Juntávamos os nossos colegas, sempre do mesmo sexo que sou do tempo do apartheid sexual nas escolas, e bebíamos laranjada e bicos de pato com fiambre e queijo. As brincadeiras resumiam-se a jogos de futebol e corridas de carrinhos.

 

Hoje, com apenas oito anos, a minha filha como todos da sua geração somam festas de anos de sonho, umas atrás das outras. Já percorri toda a espécie de parques infantis, com extraterrestres, escorregas, navios-pirata, bowling, oceanário, eu sei lá.

 

Ontem, nos quatro anos da Xana, foi a vez da quinta pedagógica. Vacas, lamas, porcos-espinhos, ovelhas, cabras, cavalos, burros, um mundo de animais para admirar. No fim, um mini-discoteca para os petizes dançarem. Porque ia de longe, acabei por acompanhar parte das actividades. Saí com a certeza que fazemos tudo para ver os nossos filhos felizes e pensei com os meus botões: “quem me dera ter tido uma festa assim”.

 

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