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Cabeça rapada.

por Fernando Lopes, 24 Out 13

Em jovem, amava os meus cabelos compridos. Para dizer a verdade ainda hoje gosto, mas foram-se com o tempo. Nos anos 80 tinha enorme orgulho no meu cabelo. Levantava-me uma hora mais cedo para lavar e pentear o escalpe. Naqueles tempos não era indiferente à populaça um cabeludo, ainda havia uma aura de rebeldia e marginalidade. Fui chamado de drogado e paneleiro vezes sem conta. Até numa briga me meti. Estava com a namorada à época, na paragem de autocarro dos Leões. Eu vestido de preto, ela com umas calças às manchas, coisa também invulgar. Ouvi dizer que descendia do macaco e outros mimos, até que não me contive, e, sem pré-aviso, comecei a disparar bofetada. A companheira de infortúnio distribuía guarda-chuvadas com generosidade.

 

Esse tempo passou. Habituei-me a cortar o cabelo com “pente 4”. Quando começo a ter de me pentear, é hora de ir ao barbeiro. De lãzudo a cabeça rapada, trinta anos passaram. Tudo pode ter mudado, o coração permanece o mesmo: inconformado. 

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  • Fernando Lopes

    E dizemos isto como se tentar ser boa pessoa fosse...

  • pimentaeouro

    Assino por baixo.

  • Fernando Lopes

    É a nossa obrigação, Inês. Impensável ter um anima...

  • Inês

    E o contente que eu fico por saber que há mais um ...

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