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Adagas nos pés.

por Fernando Lopes, 7 Out 13

Imensa gente tem heranças genéticas terríveis: tendência para a obesidade, hemofilia, alopecia, nanismo e por aí fora. Nenhuma é tão terrível como as “unhas-dos-pés-adaga”. Em vez de herdar propriedades no Alentejo, carros históricos, ou, vá lá, uns milhões de euros, o meu querido pai passou-me as unhas dos pés à águia, problema que causa sofrimento extra a um portista dos quatro costados. Sofro dos calcantes em dose dupla: sou dado a grandes chulés, mesmo usando pozinhos, mezinhas caseiras e o clássico Fuss Frisch. As meias que retiro ao fim do dia, no verão, transformam-se imediatamente em gesso, ficando ali, altivas, a empestar o ar e a envergonhar-me sem fim. É preciso ir a correr com uma máscara anti-gás, colocá-las na tulha e meter os pezinhos em água quente. Para cortar as unhas eficazmente, seria necessário uma rebarbadora industrial. Os 90 e tal centímetros de cintura obrigam-me a um esforço extra quando tento realizar esta tarefa homérica. Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado. Dramático, dramático, é que em vez de deixar herança que se veja para minha filha quando partir, passei-lhe o problema que herdei: “unhas-dos-pés-adaga”. Quão baixo pode um homem descer?  

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