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Querida EDP.

por Fernando Lopes, 30 Out 13

Ontem à noite, como diria o José Luís Peixoto, fugiste-me. Do profundo breu em que se havia transformado a minha existência, quis ligar-te. Mas como sou modernaço, aderi à factura electrónica, que estava no PC, que sem luz não funciona, e não tinha o teu número. O portátil estava sem bateria pelo que se recusou a dar-me o teu contacto. Nesta busca incessante do teu call-center, usei a lanterna do telemóvel, que, por assim dizer, pifou. Nem net, nem telemóvel, nem fixo, cortesia do triple play. Resolvi bater à porta do vizinho, pedir-lhe encarecidamente que me desse o mítico número das tuas avarias. O pateta também aderiu às facturas no email. Nada feito. Venho assim sugerir-te que distribuas pelos clientes um daqueles autocolantes de frigorífico, fluorescente, com o número mágico. Como não sou exigente, e a bem das relações sino-lusas, podem até ser feitos na China. Obrigado.

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A Moulinex da minha infância.

por Fernando Lopes, 29 Out 13

Houve um tempo antes da Moulinex e do picar carne em 1,2,3. O dispositivo acima era “a máquina” da minha infância. De procedimento simples, cortava-se a carne em pequenos pedaços, introduziam-se na parte de cima do aparelho e rodando a manivela obtinham-se os fios de carne que saíam pelos orifícios laterais. Como a coisa era atarraxada à mesa de operações, exigia uma dose moderada de braço. Demasiado empenho na manivela fazia com que o parafuso não segurasse o aparelho e tudo tombasse, vindo de imediato o calduço da mãe. Pouca força não produzia carne picada. Tal como hoje, a perfeição requeria um equilibrado balanço.

 

Coisa de antanho lembrada pelo meu amigo Carlos.

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Festas de sonho.

por Fernando Lopes, 27 Out 13

Umas das alterações estruturais da sociedade das últimas três décadas é o papel que atribuímos às crianças. Hoje, os pequenos e médios seres que habitam as nossas casas, têm um papel activo em todas as decisões familiares. Quando era pequeno, o simples expressar de uma opinião era logo desvalorizado com um: és o mais novo, logo, o último a falar.

 

Seria matéria interessante para um antropólogo, sociólogo ou psi, este movimento, das margens para o centro, na estrutura familiar. De uma coisa estou certo: os nossos filhos são muito mais considerados e acarinhados do que as gerações que os precederam, e isso é bom.

 

Ocorrem-me estes pensamentos por ter ontem estado no aniversário de uma criança por quem nutro especial carinho. No meu tempo nem todos tínhamos festa de aniversário. Os que celebravam, faziam-no com tal frugalidade que parece que vivemos há séculos. Juntávamos os nossos colegas, sempre do mesmo sexo que sou do tempo do apartheid sexual nas escolas, e bebíamos laranjada e bicos de pato com fiambre e queijo. As brincadeiras resumiam-se a jogos de futebol e corridas de carrinhos.

 

Hoje, com apenas oito anos, a minha filha como todos da sua geração somam festas de anos de sonho, umas atrás das outras. Já percorri toda a espécie de parques infantis, com extraterrestres, escorregas, navios-pirata, bowling, oceanário, eu sei lá.

 

Ontem, nos quatro anos da Xana, foi a vez da quinta pedagógica. Vacas, lamas, porcos-espinhos, ovelhas, cabras, cavalos, burros, um mundo de animais para admirar. No fim, um mini-discoteca para os petizes dançarem. Porque ia de longe, acabei por acompanhar parte das actividades. Saí com a certeza que fazemos tudo para ver os nossos filhos felizes e pensei com os meus botões: “quem me dera ter tido uma festa assim”.

 

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Poesia na parede.

por Fernando Lopes, 26 Out 13

Banksy, Nova Iorque, elevador de um bar de strip-tease. 

Foto ERIC THAYER/REUTERS

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Cabeça rapada.

por Fernando Lopes, 24 Out 13

Em jovem, amava os meus cabelos compridos. Para dizer a verdade ainda hoje gosto, mas foram-se com o tempo. Nos anos 80 tinha enorme orgulho no meu cabelo. Levantava-me uma hora mais cedo para lavar e pentear o escalpe. Naqueles tempos não era indiferente à populaça um cabeludo, ainda havia uma aura de rebeldia e marginalidade. Fui chamado de drogado e paneleiro vezes sem conta. Até numa briga me meti. Estava com a namorada à época, na paragem de autocarro dos Leões. Eu vestido de preto, ela com umas calças às manchas, coisa também invulgar. Ouvi dizer que descendia do macaco e outros mimos, até que não me contive, e, sem pré-aviso, comecei a disparar bofetada. A companheira de infortúnio distribuía guarda-chuvadas com generosidade.

 

Esse tempo passou. Habituei-me a cortar o cabelo com “pente 4”. Quando começo a ter de me pentear, é hora de ir ao barbeiro. De lãzudo a cabeça rapada, trinta anos passaram. Tudo pode ter mudado, o coração permanece o mesmo: inconformado. 

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Lavandaria Portugal, S.A.

por Fernando Lopes, 23 Out 13

Adoro os editorais inflamados do “Jornal de Angola”. À sua maneira, recordam-me a propaganda russa de finais de 70. Na casa dos pais, circulava ocasionalmente uma revista, “Vida Soviética”, em que o regime que implodiu, gerou e gera enormes desigualdades, fomentou máfias e oligarquias, era descrito como o paraíso na terra. É isso a propaganda, vender uma ideia de tal forma que esta se torne verdade insofismável. Os angolanos têm dinheiro, falta-lhes respeitabilidade. Qualquer ser sensato se questionaria de que forma a família Dos Santos e seus serventuários obtiveram fortunas tão colossais. Sejamos claros: é dinheiro roubado ao povo angolano. Os angolanos têm dinheiro, mas não honorabilidade, e isso é a que a coisa última a que aspiram todos os mafiosos; serem legítimos. Enquanto qualquer outro país europeu questionaria a origem deste caudal incessante de fundos, Portugal acolhe-os de braços abertos, sem uma única questão. Donde veio o dinheiro para fundar bancos, comprar outros, tornar-se um potentado nas telecomunicações nacionais? Os governos portugueses não sabem, nem questionam. Precisamos do investimento angolano, os angolanos necessitam dos portugueses para o transformarem em “dinheiro bom”. Por muitas birras públicas que faça José Eduardo dos Santos, tudo não passa de demagogia para consumo interno. Temos o produto último que ambicionam, a legalidade empresarial. Sem isso não passam de vulgares ladrões em farpelas de luxo, diferenciando-se apenas pelos bizarros padrões de gravata .

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Padrões.

por Fernando Lopes, 22 Out 13

Será que o mundo se comoveria com Maria se ela não obedecesse ao padrão da criança loira, raptada por ciganos maus? Se o abduzido fosse preto, teríamos a mesma empatia?

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É complicado.

por Fernando Lopes, 21 Out 13

Como a maioria de nós, vi o primeiro “Big Brother”, e desinteressei-me pelas sequelas. Existia uma certa candura da primeira vez, pois os protagonistas, fechados numa caixa, desconheciam que se haviam tornado “celebridades” a nível nacional, a ponto as suas peripécias adiarem uma comunicação do Presidente da República. Hoje, pela segunda vez em vários anos, assisti a um momento fascinante, a precisar de tradução simultânea. É assim: na casa existe um rapaz que já foi rapariga. Hoje tem barba, pendentes e tudo e tudo. Namorava com uma rapariga enquanto ainda era anatomicamente do sexo feminino. Separaram-se. A moça (a que nunca mudou de sexo), certamente atraída pela popularidade do programa, foi lá pedir o rapaz que era rapariga em casamento. Ele hesitou, e depois respondeu positivamente. A rapariga que sempre foi rapariga e que pediu a ex-fêmea  em casamento, lembrou à apresentadora que não gostava que lhe lembrasse que o seu companheiro já tinha sido mulher. Vi toda esta ópera bufa, siderado. Deve ser para casos como este que inventaram o status afectivo no facebook “É complicado”. 

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Olha, trouxe um livro de gaja.

por Fernando Lopes, 19 Out 13

 

Gosto de andar no meio dos livros, de sentir o cheiro do papel e tinta. Na verdade, a Porto Book Stock Fair, além das pechinchas tem um agradável cheiro a mofo. Não o odor convencional mas um “bolor literário” de livros que, do fundo dos armazéns abandonados, renascem para uma nova oportunidade de encontrar leitor. Pela oferta, suponho que o que de mais interessante havia já foi surripiado por leitores atentos. Assim, trouxe “Contos Escolhidos” do eterno Eça e “Os Olhos Amarelos dos Crocodilos”. Ao pesquisar e tentar encontrar críticas, vejo que é um livro do que se convencionou chamar literatura no feminino. Para um leigo como eu, a literatura não tem sexo, só existe a boa e a má. De qualquer modo depois de parar a páginas trezentas na “Piada Infinita” e de “A luz é mais antiga que o amor”, apetece uma leitura que não exija demasiada concentração, nem cruzada por referências que dão tanto que ler como o livro em si. A ver vamos como diria o ceguinho. 

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Afinal, o dr. Rio gosta de arte urbana.

por Fernando Lopes, 18 Out 13

Já aqui escrevi sobre as obras que decorrem frente à casa de Sua Excelência o sr. dr. Rui Rio. Crème de la crème, ordenou que se grafitasse um muro perto do seu “Paço Episcopal”. A ideia é interessante: reproduzir lugares e monumentos da zona da Boavista, numa espécie de fresco da memória. Estão lá o mercado do Bom Sucesso, a igreja junto à “Casa Agrícola” e outras recordações. Despertou a atenção um edifício outrora existente que desconhecia, um tauródromo que se ergueu algures onde hoje é a Praça Mouzinho de Albuquerque, vulgarmente conhecida como Rotunda da Boavista. Nada de mal, grafittar com o dinheiro dos contribuintes. O que me encanita é a natureza do projecto, muito convencional, sem a rebeldia própria da street art. Ou muito me engano ou anda por aqui a fantasmagórica mão do dr. Rio. O improviso e a liberdade são “cenas que não lhe assistem”.

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  • Fernando Lopes

    E dizemos isto como se tentar ser boa pessoa fosse...

  • pimentaeouro

    Assino por baixo.

  • Fernando Lopes

    É a nossa obrigação, Inês. Impensável ter um anima...

  • Inês

    E o contente que eu fico por saber que há mais um ...

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