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As obras do inefável dr. Rio.

por Fernando Lopes, 4 Set 13

No tempo das vacas gordas, as campanhas para as eleições autárquicas eram muito mais divertidas. Havia sempre um centro de saúde, rotunda, estátua, ou pintura em bairro camarário para celebrar. Nesse período era difícil ser autarca, uma lufa-lufa de inauguração em inauguração, sempre com a tesoura em punho, uma verdadeira canseira. Nisto de eleições regionais, os meus conterrâneos que vêem longe, decidiram renovar o mandato a um edil que se propunha não fazer a ponta de um corno, simplesmente para não gastar nenhum. Assim se fez na cidade do Porto a carreira de sua magnificência, o sr. dr. Rui Rio.

 

Há uns anos, decidiu sua clarividência, mudar de casa. Escolheu algo bem adequado à sua índole truculenta, as traseiras do cemitério de Agramonte. Lá residem os melhores munícipes do mundo: contentam-se com pouco espaço, não fazem barulho nem exigências de nenhum tipo. Imagino até o dr. Rui Rio a acordar pela manhã e vir de boxers à janela para reflexões hamletianas.

 

Nada disto teria importância se desde então a zona não tivesse sido alvo de várias intervenções, a última das quais dura há meses. Primeiro foi o rearranjo da zona pedonal e de parqueamento. Após a sua conclusão foi re-esventrada para dar lugar a mudanças profundas, as quais incluem todo o tipo de tubos, tubinhos e tubões. Presumo que o dr. Rio quererá defecar em grande, ter energia eléctrica e gás da melhor qualidade, e, já agora, telecomunicações da mais pura fibra. Poupadinho, poupadinho, mas a gastar centenas de milhares de euros para benfeitoria da zona de residência de tão nobre figura. Imagino para quantas feiras do livro dariam as obras de melhoramento de sua alteza real, but then again, who cares? Os livros só fazem mal às vistas.

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  • Fernando Lopes

    E dizemos isto como se tentar ser boa pessoa fosse...

  • pimentaeouro

    Assino por baixo.

  • Fernando Lopes

    É a nossa obrigação, Inês. Impensável ter um anima...

  • Inês

    E o contente que eu fico por saber que há mais um ...

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