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Antes de chegar a casa ia assistindo a um grave acidente provocado pela falta de reflexos de um velhinho. Obviamente não tenho nada contra as pessoas com mais idade, eu próprio caminho a passos largos para o inverno da vida. Certo é que se a idade não é um factor inibidor, deveriam existir exames não só físicos, mas também de reflexos e perícia. Numa sociedade que caminha para o envelhecimento, o segmento mais idoso recusa-se a perder mobilidade, o que é perfeitamente aceitável. Os testes é que deveriam ser outros. Todos os dias assisto a um vizinho que anda de canadianas e se mete num carro, e não, não é um veículo adaptado. Deixou de o colocar na garagem depois de jogar às três tabelas com todos os postes de cimento que existiam no caminho. E, no entanto, circula por aí. Provavelmente deveriam existir exames periódicos de aptidão para todos, mas enquanto isso não acontece porque não proteger os utentes, velhos ou novos, fazendo testes mais rigorosos a quem tem mais idade e consequentemente menos reflexos?

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As eleições são divertidas.

por Fernando Lopes, 29 Set 13

As eleições são sempre muito divertidas, não tanto pelo acto em si, mas por todo o folclore que as rodeia. Apesar de sempre ter votado em Cedofeita, com a junção de freguesias parece que voto pelo Porto todo. É Cedofeita, Miragaia, Santo Ildefonso, São Nicolau, Sé e Vitória (ufff, que saudades do tempo em que era simples dizer o nome da nossa freguesia). A explicação para esta agregação é o contínuo histórico do centro da cidade, esquecendo-se as alminhas pensantes que de uma ponta à outra devem distar dez ou mais quilómetros. Eita, freguesia grandona.

 

O local onde voto é o meu antigo liceu, a cerca de mil metros, talvez um pouco mais, de casa. Resolvi ir a pé, guarda-chuva na mão e parka sobre o polo. A metade do percurso já transpirava como um cavalo. Tirei o casaco e fui por ali fora, bem no meio da chuva. Como todas as freguesias do centro da cidade, a população de Cedofeita é maioritariamente sénior, pelo que requer alguma paciência, tolerância e bonomia, votar.

 

Sexagenárias filhas arrastam gerontes munidos de bengalas, andarilhos e o diabo a quatro. Só me interrogo que estranha fé os move para aquele desconforto. Os reformados em fato domingueiro, as matronas gordas a rolarem para fora dos Mercedes, os penteados à lá Ferreira Leite, todos os tiques pequeno-burgueses da cidade estão ali em exposição viva. Parei um minuto à porta do velho Rodrigues de Freitas para apreciar o caos automóvel. É esta a tua gente, são estas as “forças-vivas” da tua cidade. É por isso que esta merda porra nunca corre bem.

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Eu cá não preciso de dia de reflexão.

por Fernando Lopes, 28 Set 13

Até porque os candidatos elegíveis na cidade do Porto vão do muito fraquinho ao abaixo de cão. Uma cidade onde os eleitores dão a possibilidade a Rui Moreira de ser eleito, merece, no mínimo, quatro bombas iguais às de Hiroshima logo após os resultados eleitorais. Põe-se um clone de RR no poder. Afinal a única coisa que este fez de errado foi não deixar o F.C. Porto subir à varanda da câmara quando se sagra campeão. Vão-se  foder, concidadãos!  Mas irei votar.

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A ler.

por Fernando Lopes, 28 Set 13

 

É um dos mais comoventes, estranhos, originais, assombrosos e belos documentos acerca da dor que já li.

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A mudança de estações põe-me patafúncio.

por Fernando Lopes, 26 Set 13

Fico cansado, apático, confuso. Só me apetece dormir. A transição Inverno-Primavera e Verão-Outono potenciam em mim, indolência e fraqueza. Podia atribuir este estado estranho à andropausa, à marcha inexorável do tempo, ao stress do dia-a-dia. Só digo que é algo como sentir-se oco. Sou só eu?

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Queda de um mito.

por Fernando Lopes, 25 Set 13

Em crianças considerámos que os nossos pais são seres quase mágicos, omnipresentes e omniscientes, sem temor ou fraqueza. Na adolescência questionamos tudo, os progenitores são quadradões, caretas e ignorantes. Finalmente, na idade adulta conseguimos colocar as coisas em perspectiva, reconhecendo-lhes as qualidades, os defeitos e o valor da experiência. Hoje entrei na fase dois, a de queda acelerada.

- Pai, tu não tens medo de nada, pois não?

- Tenho. De andar de avião, de abelhas e de injecções.

- Mas já andaste de avião.

- Andei, houve até um tempo em que andava todas as semanas. Isso não quer dizer que não tenha medo, até porque os aviões andam no ar e as oficinas são em terra.

- E as abelhas e injecções?

- Sou alérgico às abelhas; se for mordido tenho de ir ao hospital e como tenho medo de “picas”….

- Afinal és um bocadito medroso.

 

Já está. Daqui para a frente é sempre a descer.

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Vizinhança boa, má e heróis anónimos.

por Fernando Lopes, 22 Set 13

a boa,

a má.

 

Após o almoço, quando regressávamos a casa, um comboio com sete carros de bombeiros. Tinha parado para beber água da mina e num gesto instintivo aplaudi-os um a um como se heróis de uma volta a Portugal em bicicleta se tratassem. Tinham estado a combater o fogo na “minha” freguesia, passado para Gondariz para novo combate, montado junto à igreja um posto nocturno. Não tiveram noite descansada com vários fogachos e reacendimentos. A eles, uma enorme vénia pela coragem e disponibilidade para servir o próximo.

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Papel de cozinha.

por Fernando Lopes, 20 Set 13

Como já aqui escrevi tenho uma vizinha espanhola. Apesar de reservada com os restantes vizinhos, engraçou com a família Lopes e troca sempre uma ou outra simpatia connosco. A senhora é médica e tem como carro de serviço uma bomba Audi que custa o preço de um pequeno apartamento. Estaciono na garagem e vejo-a retirar da mala rolos e rolos de papel higiénico, mais precisamente três embalagens XXL que dariam para impar o rabo a um regimento. Ao subirmos no elevador, coloca o papel um em cima do outro de modo a fazer um pequeno banco. Senta-se e confessa no seu portunhol:

- Sabes, es muy difícil viver sossinha. Andava à dos dias a limpar o culo a papel de cocina.

Sorri, disse-lhe que podia acontecer a qualquer um, mas como é que se reage perante alguém que partilha os problemas da higiene mais íntima com esta descontracção?

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Linguagem colorida.

por Fernando Lopes, 19 Set 13

Todos sabem como é rica a linguagem por estas terras do norte. Há muitos anos atrás sentei-me ao pé de um daqueles lavadouros públicos, algures em Rio Tinto. Tinha feito um longo percurso a pé e aproveitei para descansar e escutar a conversa – sim, às vezes escuto diálogo alheio. O bate boca descambou em troca de mimos, até que uma das mulheres acusou a outra de mal fodida. Ouvi, com estes que a terra há-de comer, a descrição mais rica para actividade sexual intensa:

- Mal fodida, eu? Até tenho calos no cu dos colhões do meu homem.

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Os violadores de Nova Deli.

por Fernando Lopes, 18 Set 13

O caso foi muito noticiado, a pena passou como uma pluma entre noticiários e jornais. É legítimo condenar alguém à morte? Talvez. Em situações excepcionais em que há patologias que se manifestam através de assassinatos múltiplos como os serial killers, ou em casos como o da violação múltipla e agressões até à morte ocorrida em Nova Deli, a pena capital parece-me aceitável. Razões diferentes me conduzem a este raciocínio. No primeiro não há cura conhecida e a prisão perpétua parece-me demasiado leve para quem não teve respeito pela vida humana, mais, planeou a morte de outrem e dela tirou sádico prazer. O caso indiano é antes de mais, uma medida profiláctica. Numa sociedade fortemente hierarquizada, as mulheres são o fim de linha, seres que ali estão para servir o homem e os seus instintos. A violação foi planejada e executada com uma violência inqualificável. Aqueles jovens encarnam o pior da sociedade, a falta total e absoluta de respeito pelo outro e como tal foram punidos. Desculpar-me-ão os que são contra a pena de morte em qualquer circunstância, mas pensariam da mesma forma se vivessem o seu dia-a-dia com a vulgarização deste crime hediondo? Lutariam pela não condenação à morte se a vítima fosse sua mãe, irmã, filha, mulher, amiga?

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