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Passagem de testemunho.

por Fernando Lopes, 26 Ago 13

Nasci no dia 24 de Fevereiro do longínquo ano de 1963. Um domingo, dia de Porto-Benfica. Contava o pai que a mãe ao sentir dores de parto se deslocou sozinha para a Hospital do Terço, onde eu viria ao mundo. O pai, um jovem empregado de escritório de 27 anos, não tinha carro próprio. Resolveu apanhar um táxi, mas foi confrontado com uma enorme fila de adeptos que aguardavam transporte para o local do jogo. Pediu para o deixarem passar à frente, ia para o hospital onde estava a vir ao mundo o seu primeiro filho. As pessoas na fila pensaram tratar-se de um golpe e mandaram-no para o fim e esperar pela sua vez. Ao vê-lo tão aflito, alguém disse:

- Pode mesmo ser verdade, vamos deixar passar o homem?

Feitas as contas, analisadas as hipóteses, apiedaram-se do jovem que assim seguiu para a maternidade à espera do nascimento do seu primogénito.

 

É por isso que torço pelo Porto, que visto por dentro esta cidade, este clube. Não entendo grande coisa da bola, não sei o nome da maioria dos jogadores, só gosto que a minha equipa ganhe.

 

Ontem, quando estava a ver um jogo na net, pela primeira vez, a Matilde interessou-se genuinamente por futebol. Vibrou com os golos, questionou-me sobre as regras. Foi um momento simbólico, uma espécie de passagem de testemunho, em que o velho portista inicia nos mistérios de ser Porto a sua única herdeira.

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  • Fernando Lopes

    E dizemos isto como se tentar ser boa pessoa fosse...

  • pimentaeouro

    Assino por baixo.

  • Fernando Lopes

    É a nossa obrigação, Inês. Impensável ter um anima...

  • Inês

    E o contente que eu fico por saber que há mais um ...

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