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Raios partam a meia-idade.

por Fernando Lopes, 14 Ago 13

Desde que me recordo sempre fui um tipo excessivo; nos amores e ódios, nas manifestações de afecto, no gosto pela comida, nas bebedeiras de paralisar os neurónios, na linguagem, etc. Desde que tive um AVC, há quase dez anos que passei a tomar uma catrefada de medicamentos. Ao contrário do que seria expectável e sensato continuei a comer e beber como um ogre, a fumar e fazer o que me dá na real gana. Decidi ignorar a doença, como se esta afectasse outro corpo que não o meu. Não me tenho dado mal. Tirando o facto de me ter transformado numa pequena lontra (e as lontras são animais queridos), nunca liguei muito ao ar severo dos srs. drs. Acontece que após análises de rotina chegou a factura: colesterol, diabetes, triglicerídeos e o raio que me parta. Parece que tudo se resolve da maneira mais dolorosa: dieta e exercício físico. Não inventaram ainda comprimidos que substituam estas duas traumáticas obrigações. Já me tinha habituado a colocar a perna de lado para apertar os sapatos (barriguinha oblige), transpirar como um louco após uma curta caminhada, subir escadas e chegar ao cimo sem fôlego. Terei de me separar dos 14 quilos de lastro que carrego, abandonar os lúpulos e francesinhas, substituir o arroz e batatas por vegetais. Vou tentar ser um tipo mais saudável com a certeza que serei muito mais triste.

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