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Adega dos Caquinhos.

por Fernando Lopes, 7 Ago 13

(foto roubada do Público uma vez que as minhas ficaram miseráveis)

 

A Adega dos Caquinhos, na zona histórica de Guimarães é sobretudo conhecida pela verve da D. Augusta. Não por ser uma artista da língua, mas desbocada e asneirenta. Só pessoas com dificuldades cognitivas se deslocam a um estabelecimento para ouvir palavrões, nem é esse o segredo da D. Gusta. É uma tasca, tasca, sem pretensões a novo-chique. Há dois aferidores da qualidade de um restaurante: o ter ou ser conhecido por nome de gente, e a cozinha à vista. A adega reúne os dois. Guiado pelo Ricardo, um vimaranense que transporta consigo o coração da cidade e das gentes, partimos para conhecer esse ícone da região.

 

A D. Gusta distribui os palavrões só por quem gosta, por isso, se for em busca de “linguagem colorida”, o mais provável é sair com os ouvidos tão limpos como entrou. Em tempos idos, entre amigos, contam-me que eram épicos os duelos verbais entre a D. Gusta, a mãe e a tia, com o falecido marido de premeio. O que encontrei foi um restaurante onde a comida é elaborada à nossa frente, com sabedoria e carinho. Comemos um honestíssimo bacalhau com batata frita, cebolada e um molho que suponho de colorau ou pimento vermelho, acompanhado de um branco que, sem deslumbrar, não envergonha.

 

Encantou-me o lado familiar do estabelecimento. A proprietária, após o almoço, distribuiu conselhos e filosofia de vida com a mesma sabedoria com que confecciona o bacalhau, embora de forma um pouco mais colorida. A empatia que estabelece com os clientes que, como nós, estávamos acompanhados de um “filho da casa” acaba por se tornar prato forte. A comida é boa e a proprietária uma personagem que nos enche e acarinha muito para lá da liberdade de linguagem. Obrigado Gusta, e até breve.


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