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Parábola das botas.

por Fernando Lopes, 31 Jul 13

 

"Um Homem de Partes" - Biografia romanceada de H.G. Wells por David Lodge

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O Buda apaixonado.

por Fernando Lopes, 30 Jul 13

Na estante da D. Etelvina, carregada de bric-à-brac, o mundo tinha a sua ordem. À frente, virado para a porta, porque tinham dito que dava sorte, estava o Buda, seguido das matrioskas, ordeiras em ordem crescente, e a bailarina. Era um Buda chinês, gordo, com ar feliz e longas orelhas. Por baixo tinha uma nota de 10 euros, para que naquela casa nunca faltasse dinheiro.

 

De quando em vez Etelvina dava corda à caixa de música que fazia a bailarina rodar ao som de música celestial. Ele, de costas voltadas para toda aquela beleza, já se tinha apaixonado tais os elogios que as matrioskas teciam à bailarina:

 

- Que linda, com os cabelos loiros e vestido azul.

- E que bem que dança, rodando sempre sem se desequilibrar, tão graciosa.

 

Esperava pelo dia em que ouviria a música e imaginaria a linda bailarina, em pontas, com a leveza e graciosidade do flamingo. Com grande mágoa sua foi afastado do seu amor quando na sua fúria de mudança, Etelvina o colocou no pechiché, longe da sua querida estante, das bonecas russas e do seu amor. Chorou e sofreu durante anos com a distância entre o quarto e a sala. Às vezes, mesmo um pequeno espaço é um enorme abismo para os apaixonados.

 

Um dia a dona da casa morreu, e a neta resolveu mudar as pequenas peças daquele museu com vida. O Buda voltou à estante, com o seu amor à frente e as matrioskas alcoviteiras a rir baixinho do seu ar tolo e apaixonado.

 

- Como és bela, disse o Buda, apaixonei-me mesmo antes de te ver.

- O amor é assim querido Buda, primeiro enche-nos o coração e depois povoa-nos os olhos.

 

Ainda hoje, muitos anos depois, o Buda sente um tremor por dentro cada vez que vê, agora sim, vê, o seu amor dançar, sorrindo, muito direita e elegante, rodando sempre sobre o seu eixo.

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Está mais triste a festa, pá.

por Fernando Lopes, 28 Jul 13

Uma tradição instituída há anos atrás, é ir à festa de Arca D’Água com amigos, jantar pão com chouriço, lambuzar-se de farturas, andar de carrocel, apreçar as peúgas dos ciganos e todas aquelas tretas que se fazem nas festas populares. Adoro festas, tenho uma sopeira aprisionada dentro de mim, consequentemente os concertos de candidatas a Liliane Marise, o comboio fantasma foleiro e os aviõezinhos originários dos anos 60 exercem em mim uma atracção infantil. Gosto e pronto!


Mas este ano a festa está mais triste, pá. As pessoas deambulavam com semblante indiferente, não havia o homem das rifas com aqueles pregões extraordinários, espaços vazios entre as bancas de roupa e sapatilhas fatelas, e, pasme-se, até as farturas estavam em saldo. O ano passado, 6 farturas custavam 5 euros, este anos 8 compravam-se por 6 euros e ainda duas porras de oferta. Pensei na carga simbólica das farturas em saldo e disse para com os meus botões: Que merda, pá. A crise chegou a tal ponto que até as festas populares estão em saldo e o povo circula como zombies. Defenestrem-se os filhos da puta que nos governam. Já não são só maus para a economia, conseguiram roubar-nos o contentamento infantil sempre presente nas festas e romarias.

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Um indiano cheio de massa.

por Fernando Lopes, 25 Jul 13

No regresso a casa, enquanto aguardo pela passagem do semáforo a verde, ouço uma voz a meu lado:

 

- Desculpe, o Sr. é indiano?

- Não.

- Não me leve a mal, mas parece daqueles indianos ou marroquinos cheios de massa.

- Nem uma coisa nem outra. Sou só um português teso que gosta muito de praia.

 

Contou-me logo ali que era angolano, estava de férias e tinha aproveitado para umas consultas. Estava em pânico por lhe ter sido diagnosticado hipertensão. Trocámos impressões sobre os perigos da tensão arterial alta e uma pequena série de confidências sobre saúde. Despedimo-nos desejando felicidades, e vim dali a pensar como é simpática esta espontaneidade, numa sociedade em que toda a gente parece ter um pau enfiado no cu.

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Desigualdade Global.

por Fernando Lopes, 24 Jul 13



Dá que pensar quando os 300 mais ricos acumulam mais riqueza que toda a China, Índia, Estados Unidos e Brasil, um total de 3 mil milhões de almas.

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Vernáculo.

por Fernando Lopes, 23 Jul 13

Sugestão do Luís.

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Banhos Públicos.

por Fernando Lopes, 23 Jul 13

8h30, jardim da Rotunda, Porto. Um bando de pombos aproveita o sistema automático de rega para um revigorante duche matinal.

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Clube do Bolinha.

por Fernando Lopes, 22 Jul 13

Do edílico post abaixo, poderão os mais desprevenidos entender que não há conflitos na “minha aldeia”. Existem, e às vezes graves, como quando os vizinhos se pegam por causa da água, ou no caso do rancho, em que, por motivos que desconheço, existiu uma espécie de cisma, criando na pequena freguesia dois grupos folclóricos.

 

Mas existe um atavismo mais irritante. O café que frequento é uma espécie de Clube do Bolinha em que “menina não entra”. Para ser correcto, entra se acompanhada. É tão normal ver uma rapariga ou senhora a almoçar com a família como inédito alguma delas ir ao café sozinha. No Verão, quando arribam as madames e mademoiselles, há um pacto de tolerância em que as espécies estrangeiradas são suportadas se forem aos pares. Fora o mês de Agosto, fêmeas no café, nem vê-las.

 

As pessoas têm internet, televisão por cabo, acesso a jornais e revistas. São tão informadas como qualquer citadino, embora os problemas do poder lhes sejam tão distantes quanto o acesso à capital. O machismo subjacente a esta discriminação é algo que ainda não compreendi totalmente e me transtorna. Como habitante ocasional adoptei a máxima “Em Roma sê romano”, mesmo contra os meus princípios e entendimento.

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Fim-de-semana.

por Fernando Lopes, 21 Jul 13

Foi aqui, no lugar do Casal, entre conversas com os vizinhos e serras tanto quanto a vista alcança. De presente, ovos e pepinos caseiros, oferta generosa de quem sabe o valor que a terra tem. Podia-me habituar a viver com esta tranquilidade como fundo.

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Cidadãos do mundo em low cost.

por Fernando Lopes, 19 Jul 13

Este post pode ser entendido como ofensivo para conhecidos e até amigos. Fique bem claro que não é esse o meu intento, apenas constatar uma nova variante do turismo de massas. Com o surgimento das companhias aéreas low cost, a Europa abriu-se um novo tipo de turismo, o das rapidinhas. É tentador quando um bilhete de avião para Amesterdão se torna mais barato que uma deslocação de carro à capital. Mudar de ambiente, ver cidades e países diferentes. Já fiz várias dessas deslocações, portanto, contra mim falo. O que fazemos é seguir os percursos do guia da American Express ou Lonely Planet. Só se vê os must see porque o tempo não dá para mais. Isto nada teria de mal se não desse a falsa ideia aos portugueses em particular e europeus em geral, que são “cidadãos do mundo”. Não somos. Estas viagens são prova do provincianismo que grassa por aí. Para conhecer um país, um povo, é preciso “dormir com eles na cama, ter a mesma condição”, como disse Pedro Homem de Mello. O resto são ilusões que compramos a preços módicos.

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